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Região

'Missa Azul' em prol dos autistas acontece neste sábado em Itaquá

Cerimônia tem foco nas pessoas que sofrem do espectro autista e seus familiares

21 janeiro 2022 - 13h35 Por De Itaquá

A Paróquia Santos Apóstolos, localizada em Itaquaquecetuba, promove neste sábado (22) uma missa especial em prol das pessoas autistas e seus familiares. Chamada “Missa Azul”, a cerimônia tem foco nas pessoas que sofrem do espectro autista e seus familiares. A missa terá início às 10 horas, na Rua Capela do Alto, 86 - Vila Virgínia.

De acordo com a advogada Andréa Dul, uma das organizadoras, “se temos ‘teatro azul’, ‘cinema azul’, então podemos ter uma missa azul”. Foi desta forma, movida por esta ideia, que ela procurou o padre Leandro Machado Silvestre, da paróquia Santos Apóstolos, de Itaqua.

Ele, imediatamente, gostou da ideia e está se preparando para celebrar, no próximo sábado pela manhã, esta missa especial.

Além da doutora Andréa e o padre Leandro, a professora Lenita Costa e Carola Salcedo, da paróquia Nossa Senhora de Fátima, estão imbuídas no propósito de promover esta importante celebração que rezará e pedirá pelas pessoas que sofrem do espectro autista e seus familiares.

“Não sei se este tipo de celebração já aconteceu em outro lugar, na Igreja Católica. Aqui em nossa paróquia será a primeira vez que vai acontecer”, disse padre Leandro. Será uma missa, diz ele, mais adaptada para acolher as pessoas com autismo e suas famílias. Diversas pessoas que têm familiares com autismo, tem se aproximado da paróquia, alguns questionando sobre as dificuldades de frequentar a igreja, até mesmo de poder receber o sacramento. Em alguns casos, quando o autismo dos filhos é mais severo, fica difícil ficar entre várias pessoas, há quem tenha problema com o barulho ou outras pessoas ficarem incomodadas.

Desta forma, uma missa específica pode significar um abrir de portas para esta comunidade em especial. A ideia da celebração é que os portadores de autismo se sintam acolhidos, respeitados. O pensamento central é que a Igreja é a casa de todos, ninguém pode ficar de fora, de acordo com a realidade de cada indivíduo.

“A proposta nasceu de mães de pessoas autistas, que colocaram esta proposta. A comunidade acolheu a ideia. Vamos ver como vai ser, não vamos pensar em quantidade, mas de acolher bem cada um que vier. Por outro lado, isso dá visibilidade para esta questão, que é importante na sociedade atual”, completou o padre.

E a proposta nasceu de mães de autista. A advogada Andréa Dul, com anos de atuação no Direito Tributário. E ela é mãe de uma menina autista. Foi ela quem começou com a ideia. “Por causa de minha filha, me especializei no direito de pessoas com deficiência”, declarou ela.

A doutora Dul tem tido contato com diversas mães de autistas e percebeu que estas mulheres, muitas vezes, se sentem excluídas da sociedade. Daí, surgiu a ideia de propor a realização de uma missa voltada ao tema do Autismo. “Se temos ‘teatro azul’, ‘cinema azul’, então podemos ter uma missa azul”. Isso a fez levar a proposta adiante.

Outra personagem importante para a concepção do evento de sábado é a professora Lenita Costa, que trabalha com catequese na paróquia Santos Apóstolos. “O padre Leandro pediu para eu me envolver no projeto, junto com a doutora Andréa e a Carol Salcedo, que também tem um filho autista. “O padre sempre teve esse olhar para as questões que envolvem inclusão social”, disse Lenita.

Para a doutora Dul, esta missa é uma oportunidade importante na qual a Igreja católica abre as portas para o acolhimento das pessoas autistas.

Estudo

Um estudo recente, nos Estados Unidos, indicou que de cada 55 nascimento, um vem com o transtorno do espectro autista (TEA), e que a prevalência em meninos é 4,3 vezes maior em meninas. E o estudo mostra um dado preocupante, os nascimentos com o espectro autista estão mais volumosos.

À guisa de comparação, em 2004, nascia um autista a cada 166 nascimentos; em 2012, eram um a cada 88 nascimentos; em 2018, 1 a cada 59, até os 55 atuais. A razão destes números assustadores não está exatamente no aumento de casos, mas sim na universalização dos diagnósticos.

O TEA está presente em todas as etnias e em todas as classes econômicas. Na verdade, não houve aumento das pessoas nascidas com autismo, é que os diagnósticos chegaram em larga escala às populações de baixa renda mais baixa. Ou seja, o diagnósticos nas populações pobres está realmente sendo feito.

Isto é importante porque as opções de tratamento para o transtorno passaram abranger a população como um todo. Daí, tem um aspecto fundamental a missa que padre Leandro irá celebrar – com o beneplácito da doutora Andréa Dul, Lenita Costa e Carol Salcedo - neste sábado, às 10 da manhã, na paróquia Santos Apóstolos, na Vila Virgínia, em Itaqua.

Oxalá, o desejo da doutora Dul, de se criar, não apenas na Igreja, mas também nas autoridades governamentais, um olhar mais acurado para os portadores de transtorno autista, sobremaneira para seus familiares, que têm o ônus de driblar as dificuldades diárias que é o enfrentamento dessa doença.

Mais informações podem ser consultadas por meio do telefone (11) 4754-0859

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