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Região

Comunidade Islâmica do Alto Tietê comenta protestos no Irã

DS entrevistou a fundadora da ONG Refúgio Brasil e líder da Comunidade Islâmica de Mogi das Cruzes

23 outubro 2022 - 20h00 Por Ingrid Leone - de Suzano
O Irã tem protestos diários desde que Mahsa Amini, uma jovem de 22 anos, morreu em 16 de setembro sob custódia da “polícia da moral” no país, após ser presa por usar “inapropriadamente” o hijab, conhecido como véu islâmico. 
 
Os protestos consistem em retirar o hijab em locais públicos e no corte de cabelos. Para entender o impacto destes movimentos na Comunidade Islâmica do Alto Tietê, o Diário de Suzano entrevistou a presidente e fundadora da Organização não governamental (ONG) Refúgio Brasil, em Mogi das Cruzes, Faysa Daoud. Ela também é secretária de assuntos de refugiados na Federação Árabe Palestina do Brasil (FEPAL). 
 
O DS também conversou com o líder da Comunidade Islâmica de Mogi, Faizan Paulo Abuque.
 
Para a fundadora da ONG Refúgio Brasil, a comunidade recebe os protestos como ato de coragem e indignação. 
 
“Nós vivemos em um mundo em que as pessoas deveriam ter sua liberdade de ir e vir, liberdade religiosa e da pessoa se comportar de um modo que não afete a sociedade”. 
 
Depois de ser presa, a jovem morreu três dias após entrar em coma. Amini foi acusada de descumprir o código de vestimenta feminino da República Islâmica, que exige o cabelo coberto pelo véu e o uso de roupas discretas.
 
O líder da comunidade diz que “cada país tem sua regra”, mas se caso a morte seja comprovada por uso inapropriado das vestimentas, Faizan afirma “isto é errado. A nossa doutrina e religião não ensina isso. Nosso Alcorão não ensina isso”. 
 
Segundo Faysa, dentro da religião existe a possibilidade de não usar o hijab e ainda permanecer dentro das leis religiosas. “Algumas pessoas participam parcialmente. Toda mulher deveria usar o hijab, mas se não utilizar, não deixa de ser muçulmana. Não existe o que fazer para mudar a lei de Deus, a gente vai prestar as contas com Deus”. 
 
E acrescenta que é uma prestação de contas individual. “Toda mulher é livre, cabe a ela usar ou não ”, reforça Faysa. 
 
Mesquita Islâmica
 
O templo passou por reconstruções recentemente. O líder da Comunidade Islâmica de Mogi, informa que as obras já foram concluídas e os fiéis começaram a participar das atividades. É possível visitar e os fiéis voltarem a frequentar.
 
O templo religioso está localizado na avenida Henrique Eroles, no Alto do Ipiranga. 
 
O horário de funcionamento é das 9 às 18 horas, de segunda a sexta, mediante agendamento. O número para contato é 4738-1111. 

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