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Bertaiolli no TCE

O cenário político com Bertaiolli no TCE-SP: especialistas opinam

Mudança ainda vai ocorrer, mas o deputado e ex-prefeito de Mogi já foi aprovado pela Assembleia Legislativa e tomou posse administrativa no cargo, que é vitalício

02 outubro 2023 - 07h00 Por Fernando Barreto - da Região

A mudança de Marco Bertaiolli de deputado federal para conselheiro do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP) vai mexer com a política no Alto Tietê. A mudança ainda vai ocorrer, mas o deputado e ex-prefeito de Mogi já foi aprovado pela Assembleia Legislativa e tomou posse administrativa no cargo, que é vitalício.

Porém, a nova função impede Bertaiolli de intervir no cenário político, tanto no Alto Tietê quanto em Brasília. O ainda deputado, filiado ao PSD, não poderá indicar apoio nas eleições de 2024 (municipais) e nem no distrito federal.

Com isso, abre espaço para outros políticos, eleitos ou não, angariarem esses votos. Bertaiolli foi eleito deputado federal em 2018, e reeleito, com 157.552 votos, no ano passado.

O DS falou com três especialistas em política para saber os possíveis impactos, tanto políticos quanto em investimentos, que a região pode ter com a saída de Bertaiolli.

Da legislatura de 2019-2022 para esta o Alto Tietê já perdeu representatividade direta, uma vez que viu reduzir o número de deputados federais, como é o caso de Bertaiolli, quanto estaduais. Hoje, sem o ex-prefeito, o Alto Tietê tem dois deputados estaduais e dois federais. Sendo que na legislatura anterior tinha sete ao todo, quatro estaduais e três federais.

Investimentos

O principal ponto de debate com a saída de Bertaiolli é a perda de investimentos que a região pode ter. Um dos entrevistados pelo DS, o cientista político Fernando Ivo Antunes, afirma que com certeza isso ocorrerá. Segundo explicou, o número de deputados de uma região significa a força política que ela terá.

Na opinião dele, o Alto Tietê perderá políticos engajados com suas demandas, e dá o exemplo de verbas para a saúde. Em sua explicação, Fernando Ivo diz que quando o governo estadual tem verba para destinar, por exemplo para área da saúde, se na região de Ribeirão Preto existem mais deputados do que no Alto Tietê, a tendência é que essa verba vá para lá. “Uma verba do Governo do Estado, por exemplo, que pode ser usada para a saúde pública de algum hospital regional, está disponível para uso. Se há peso político maior de deputados da região de Ribeirão Preto, por exemplo, do que do Alto Tietê, a força política fará com que essa verba seja destinada para lá e não para cá. Ou seja, com menos deputados a força de disputa política diminui”, afirma.

Ele também diz que agora os atuais deputados terão de assumir essas pautas e demandas para que a região continue com o mesmo engajamento de antes.

Outro entrevistado pelo DS, o sociólogo Afonso Pola, defende que além de ser um deputado federal a menos, a região perde um político experiente e que possui grande articulação em Brasília.

“A região perde um importante interlocutor em Brasília, o que diminui a capacidade de conquistar determinados benefícios. Ter um representante em Brasília com boa movimentação nas instâncias de poder, é sempre importante”, afirmou.

Sobre a pouca representatividade da região nas esferas estadual e federal, Afonso Pola vai de acordo com o que disse Fernando Ivo. Para Afonso, apenas três federais eleitos para este pleito, e agora apenas dois com a saída de Bertaiolli, “é pouco se considerarmos a importância dessa região (Alto Tietê)”.

“Isso é ruim pois acaba debilitando a força política da região. A vinda de recursos para a região é maior quando ela conta com vários representantes nas duas casas. Principalmente se os municípios estiverem mais articulados”, disse, indo de encontro com o afirmado por Fernando Ivo.

Outro entrevistado pelo DS, o cientista político Eduardo Caldas foi mais crítico, e afirmou que “alguém tomará o lugar deixado por Bertaiolli”. Segundo explicou, a saída dele não terá tanto impacto, pois não concorda com a ideia de que o deputado, estadual ou federal, seja “uma espécie de vereadorzão”.

“O deputado não é da região. Ele não é um “vereadorzão”. É um representando do Estado. E no caso de São Paulo, 70 são eleitos. Alguém vai assumir o lugar dele”.

Eduardo Caldas ainda foi crítico ao dizer que nem todos os deputados “se engajam em demandas do município”.

Eleitores

Outro debate com a saída de Bertaiolli é em relação aos seus eleitores. O DS questionou o fato dos eleitores que votaram nele agora ficarem ‘órfãos’. Mas os três descartaram essa possibilidade.

Para Fernando Ivo Antunes, “é um exagero afirmar que ficará órfão o eleitor do Bertaiolli”. Segundo explicou, a maioria do eleitorado já pouco se lembra em quem votou, e, portanto, “na próxima eleição ele encontrará outros nomes”.

Fernando Ivo acredita que essa é chance de outros nomes surgirem, uma vez que Bertaiolli era um político de peso e que angariava muitos votos. Fernando Ivo conclui afirmando que a região também ganha com a ida de Bertaiolli ao TCE, “mas são conquistas diferentes em relação a ele como parlamentar”.

Afonso Pola também defende que agora é a chance de novos nomes surgirem na região e assim ocupar o lugar de Bertaiolli no cenário político. Ele concorda que os eleitores se sintam frustrados com a saída do ex-prefeito da Câmara Federal.

“De qualquer forma, pelo fato da região não demonstrar uma grande vocação por priorizar o voto em candidatos locais, para de seu eleitorado deve fluir para candidatos de outras regiões”, afirmou.

Por fim, Eduardo Caldas também concorda que os eleitores dele vão encontrar um novo candidato, de mesmo perfil, para votar. Ele não sabe afirmar se os votos se manterão na região ou vão acabar por ir para candidatos de fora.

 

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