Vencedores de um concurso que premiou as três melhores redações do Centro de Detenção Provisória (CDP) de Suzano, presos contaram sobre os seus desejos quando libertos. O primeiro colocado pretende ser escritor. A ação foi promovida pela Secretaria de Estado de Administração Penitenciária e teve como tema: "O fruto de minhas escolhas". Os ganhadores receberam livros da literatura brasileira. Cento e nove detentos participaram. O diretor-geral do CDP, Pedro Pataro Júnior, valorizou a importância da ação. "A ideia é incentivar a leitura e incorporar os presos. Eles vão compartilhar os livros com os outros e divulgar o hábito da leitura. Tentamos dar um caminho a eles". Emerson Luís Luperini, agente de segurança do CDP, também destacou o trabalho realizado, ainda mais pela unidade não possuir uma estrutura voltada à educação, como uma penitenciária. "Nós não somos obrigados, mas mesmo assim fazemos esses projetos. Queremos realizar os dois (concursos de redação e desenho) no ano que vem e até aumentar a gama de projetos". Quem também lamentou a falta de uma estrutura de educação na unidade foi Antônia Alexandrina, assessora jurídica e vice-coordenadora da Pastoral Carcerária. Ele pede a educação por remissão. "Quando o preso estuda ou lê um livro por um tempo, ele tem a remissão. São três dias trabalhados e um dia ganho. Infelizmente não conseguimos implantar isso aqui por condições do Estado. Ficamos tristes". O detento Peter da Fonseca da Machado, de 28 anos, obteve o terceiro lugar no concurso. Preso por assalto, ele relatou sua trajetória na redação. "É legal, contei a história da minha vida na redação. Estou muito contente. Eu sempre gostei de desenho e de competir". Detento por tráfico de drogas, Luciano Ribeiro Guimarães, ficou na primeira colocação. Ele projeta o sucesso à sua vida. "O prêmio é simbólico, a vitória que quero ter é na vida. Eu tive uma infância muito sofrida, mas consegui concluir o Ensino Médio. Estamos aqui representando todo a CDP de Suzano". Ele comentou sobre as dificuldades enfrentadas e dedicou sua vitória. "Sou ex-morador de rua e ex-drogado. Já andei por sete estados e inclusive morei embaixo do viaduto de Itaquá. Nasci em berço evangélico, retomei meu contato com Deus e dedico esse prêmio a ele". Há um ano e nove meses no local por tentativa de assalto, Felipe da Silva Souza se mostra arrependido. Ele conquistou o segundo lugar. "O fruto da minha escolha gerou um inconveniente, causou transtorno à minha família, que é toda evangélica da Congregação Cristã. Eu posso ser outra pessoa". O campeão Luciano pretende ser escritor e elaborar uma biografia de sua vida. "Podemos ser uma gota d'água no oceano, mas podemos destruir ou construir. É tempo de construir".