A juíza Luciene Pontirolli, da 4ª Vara Cível de Suzano, determinou a reintegração de posse de uma área particular na região do Rio Abaixo, em que moram cerca de mil famílias. Em decisão, publicada ontem pelo Tribunal de Justiça de São Paulo, há a afirmação de que as famílias já foram notificadas sobre uma possível desocupação voluntária em seis meses. A Justiça pediu apoio da Polícia Militar. Por conta disso, os ocupantes temem a ação e vão pedir ajuda a Prefeitura para conseguirem um acordo melhor com o proprietário. Com mais de 10 mil metros quadrados, a área está apropriada há aproximadamente 10 anos. Segundo a ação judicial, em 2014, o valor de venda da área era de R$ 9 mihões. A proprietária do espaço propôs um acordo aos moradores. A proposta colocada para se estabelecerem no local é que cada família pague R$ 23 mil à vista. O valor apresentado não foi aceito pelos ocupantes. Porém, eles afirmam que querem entrar em acordo. Para isso, necessitam de um preço mais adequado para que caiba dentro do orçamento mensal. Os moradores descartaram a saída da área sob a alegação de não terem condições para morar em outro lugar e por conta de toda a estrutura construída. Segundo a aposentada e moradora Maria do Carmo, caso sejam retirados, diversas famílias serão prejudicadas. "Queremos ficar aqui, pois não temos para onde ir. Já nos acostumamos e amamos esse lugar. Podemos pagar para ficar, mas não uma quantia absurda que estão oferecendo". Já o cozinheiro José Maria Feliciano, que mora no local há seis anos, disse que está com receio da reintegração. "Se houver a nossa retirada, não terei para onde ir, já sou velho e não tenho grande situação financeira para morar em outro espaço. Aqui temos apenas pessoas do bem, as quais só querem os direitos de um cidadão para viver bem". A auxiliar de limpeza Célia Silva dos Santos falou da importância de o Executivo dar apoio. "Queremos que nos ajudem nesta causa porque sabemos que eles podem. Junto ao órgão, podemos ter uma proposta melhor da proprietária do terreno”. A Secretaria de Assuntos Urbanos foi procurada para comentar sobre o assunto, mas não respondeu.