Uma autoescola, localizada no Centro de Suzano, encerrou as atividades ontem, sem prestar esclarecimentos aos alunos. Alguns deles já haviam percebido atitudes estranhas no comportamento da direção e dos funcionários da escola. Aulas não eram marcadas pela falta de veículos disponíveis para a instrução. Cerca de 20 pessoas foram até a delegacia de Suzano prestar queixa. Os responsáveis pela autoescola não foram encontrados e também não declararam nada a respeito do fechamento. O primeiro Boletim de Ocorrência (B.O.) contra a autoescola foi registrado no sábado. Nele, a vítima informa que efetuou o pagamento de R$ 850 e teve conhecimento de que a direção não concluiu o processo para a emissão da Carteira Nacional de Habilitação (CNH). O delegado plantonista Lourival Zacarias de Noronha explicou a situação. "O problema se resume em as vítimas pagarem a quantia e verem que a escola está fechada." Ele também falou sobre a abertura do inquérito para investigar o caso. "Conseguimos alguns dados do homem, que tem uma página no Facebook, dizendo ser o dono da escola, porém ele não atende ninguém. À princípio, vamos apurar estelionato e crimes contra as relações de consumo, no Código de Defesa do Consumidor". A preocupação da maioria dos alunos é em relação ao prazo para a emissão do documento. Um deles está com o exame agendado para sexta-feira, porém o Departamento Estadual de Trânsito (Detran) ainda não tem os dados correspondentes para a execução da prova. Segundo ele, a pasta que contém seus documentos ainda está na autoescola. "Minhas aulas de moto não foram marcadas, e eu não fiz algumas aulas", disse um dos alunos Edilson da Silva Junior, que já efetuou o pagamento total para emissão da carteira, no valor de R$ 2,2 mil. A advogada que representará os interessados no caso, Juliana da Silva Gonçalves, vai entrar com a liminar para que o Detran prorrogue os prazos dos alunos, que estão prestes a esgotar para a emissão do documento. Também quer uma liminar para que a documentação dos alunos seja entregue e para que consigam dar seguimento ao processo em outra instituição. Após isso, ela disse que abrirá um processo cível contra a autoescola. Umas das vítimas, Leandro Pedro da Silva, de 28 anos, informou que faltava ele pagar duas parcelas e que quando foi efetuar o último pagamento, achou estranho a entrega de um recibo manual. "Ninguém nunca falou nada sobre o fechamento da escola, inclusive, tentei marcar meu exame e não marcaram." Mais alunos efetuaram o pagamento total do documento e registraram queixa. Outros dois aluno, que deram início ao processo no mês de julho, já efetuaram o pagamento e não chegaram nem a ter aulas marcadas pela autoescola.