A reintegração de posse dos conjuntos Nova América I e II, no Jardim Nova América, em Palmeiras, foi suspensa pela Justiça. A ação estava marcada para acontecer na manhã de ontem, mas o recurso da advogada, Ângela Quirino de Oliveira, que defende os moradores foi acatado. A argumentação foi de que os ocupantes não receberam a intimação judicial para deixar voluntariamente o local. Contudo, a liminar que pede a reintegração continua em julgamento. A construção, que permanece ocupada desde novembro de 2015, faz parte do programa Minha Casa, Minha Vida. A Caixa Econômica Federal (CEF), responsável pelo programa, foi quem entrou com a ação na Justiça. De acordo com Ângela, o processo teve uma etapa pulada. Isso porque, antes da reintegração com ajuda da Polícia Militar, os moradores deveriam ter recebido a intimação solicitando a desocupação voluntária do local. "Nosso argumento é que a liminar não podia ser cumprida como se devia, sem que os moradores fossem intimados da data desocupação. O que foi suspenso não foi a liminar, mas o cumprimento da liminar, que foi incorreto. Nesse aspecto a Caixa não pode interferir. Foi só um erro procedimental". A decisão serve como tempo para que a advogada e as famílias continuem contestando a decisão da Justiça pela retirada dos moradores do local. "O que existe para a Caixa discutir é o mérito da contestação do processo, que é defesa das famílias. Existe um processo de agravo de instrumento que não foi julgado. É um recurso que pede suspensão da liminar. Se for julgado e aprovado ele não corre mais, aí se torna um trâmite mais devagar". Os moradores do empreendimento, que passaram os últimos dias preocupados, contam que os ocupantes querem a regularização da situação. O síndico do condomínio, que se identificou como William, contou que a PM esteve fazendo patrulha no local nos últimos dias. "Hoje (ontem) eles não vieram. Mas a PM estava vindo até aqui a toda hora. A população e as crianças ficavam com medo. A advogada veio aqui logo cedo trazer o resultado", contou. Para a moradora Paula Viera, de 33 anos, a situação seria resolvida se fosse feito a regularização dos ocupantes dos apartamentos. "Antes aqui estava abandonado, local cheio de usuários de drogas. Hoje tem a nossa população. Ao invés de regularizar a gente, querem nos tirar", pontuou. A dona de casa, Lourdes Bernardino, de 34 anos, contou que ficou aliviada com a decisão da Justiça. "Muita gente não tem pra onde ir. Quando recebemos a notícia, muita gente ajoelhou e agradeceu".