O prefeito de Suzano, Paulo Tokuzumi (PSDB), se despede da vida pública. Mas analisa como positivo seu mandato. “Na vida política, depois do Estevam (deputado estadual Estevam Galvão), a nível municipal, sou o político de maior sucesso”, avalia. De acordo com ele, a principal dificuldade enfrentada no governo foi a recessão do País que afetou a arrecadação de receita do município. Tokuzumi, que está com 60 anos e tem 18 anos de vida pública, garantiu que não tem mais pretensão políticas. Para o próximo ano, o gestor deve voltar a administrar suas empresas. Ainda de acordo com o tucano, o próximo prefeito, Rodrigo Ashiuchi (PR), terá um ano muito difícil na Prefeitura. Diário de Suzano: Nestes quatro anos de mandato, quais os projetos que o sr. pode destacar como mais importantes? Paulo Tokuzumi: Não vou, especificamente, falar sobre projetos. Vou falar sobre o período de quatro anos. Todos viram a situação do País. Vivemos o pior momento econômico. Isso se reflete em toda a economia. Também nos poderes públicos que vivem da arrecadação de impostos. Poder público é igual empresa. Você só pode gastar o que arrecada. A base principal é o funcionalismo que precisa ser preservado. Essa é uma das coisas que dei mais importância. Diário de Suzano: A saúde de Suzano foi um dos setores mais cobrados nos últimos anos. Como a Prefeitura deixa o setor? Tokuzumi: A saúde está sendo criticada não em Suzano, mas em todo o País. A saúde no Brasil tem talvez o pior dos defeitos: a falta de recursos. Mas tem a melhor das virtudes: que é ser universalizada. Gastamos 26% do nosso orçamento em saúde. Eu sei que se o próximo prefeito gastar 100% do orçamento em saúde não melhora. Não temos condições de dar atendimento à altura. A Santa Casa dá prejuízo. Mas vai fechar? Não. É um serviço essencial. DS: Qual a dívida atual da Santa Casa? Tokuzumi: Dívida existe sim. A Santa Casa precisa ser conduzida, independente da dívida. DS: Quais as maiores dificuldades enfrentadas pelo seu governo? Tokuzumi: A maior dificuldade enfrentada, não pelo meu governo, mas no País, é a recessão. Foi causada por erros políticos, na área econômica, problemas jurídicos. DS: Quais foram suas prioridades? Tokuzumi: O prefeito hoje pode fazer duas coisas. As duas juntas na condição de Suzano é muito difícil: administrar ou fazer política. Eu preferi administrar. Se a pessoa for fazer os dois está fadado ao fracasso. DS: Em relação à mobilidade urbana, a Marginal do Una e a alça do Rodoanel são reivindicações. Como está o panorama em relação a essas obras? Em sua opinião, é possível que Suzano consiga um desfecho sobre esses dois assuntos no próximo ano? Tokuzumi: Nem os economistas estão dizendo se acontece a recuperação econômica no ano que vem. Uns dão previsão de estabilidade, outros acréscimo no PIB. Mas tenho certeza que a se a economia voltar a recuperar, voltam os investimentos, mas se não, vai ser muito difícil que aconteça investimentos. Se não tiver apoio dos governos federal e estadual, certeza que não sai, porque são obras muito caras. Eu vejo o Rodrigo como uma pessoa bem intencionada que está com uma equipe muito boa. A obra do Marginal do Una, chegou a “ser” (sic), mas no momento que foi se iniciar a obra teve queda de arrecadação. O governo teve de cortar a obra. São obras importantíssimas, que sei que o próximo prefeito vai continuar lutando por isso. DS: Em sua opinião, qual será o maior desafio enfrentado pelo próximo prefeito? Tokuzumi: Sem dúvida nenhuma é a adequação das receitas com o que ele tem de capacidade de investir. Essa matemática não pode ser falha. Não se pode gastar mais do que arrecada. Rodrigo é um menino muito bem intencionado, que está bem cercado de pessoas capacitadas. Isso acaba auxiliando. A população não pode esperar milagres por parte do Rodrigo. Não temos receita. Ano que vem será um ano muito difícil. DS: Como tem sido o processo de transição de governo? Tokuzumi: O processo de transição está sendo feito com bastante tranquilidade. Até porque está sendo um processo administrativo e não político. Hoje o Portal da Transparência da Prefeitura tem todos os dados. A Prefeitura está bastante atualizada nessa parte. DS: Qual a avaliação o senhor faz sobre o seu mandato? Qual nota daria a ele? Tokuzumi: Hoje vivemos uma situação bastante difícil, política e administrativamente. Tive de fazer uma administração com bastante cuidado, pelo momento que vivemos. Por isso estamos chegando agora no final do mandato pagando salários, previdência, e com todas as certidões. O novo prefeito vai ter toda tranquilidade para assumir. O que vou transferir de mais importante é a estrutura funcional, aqueles que prestam o serviço, e essa estrutura eu mantive com normalidade. É muito difícil se auto-avaliar. Mas tenho certeza que nesse período de turbulência que passamos, eu levei o barco para o outro lado. Então, não sei qual a nota, mas certeza que é nota de aprovação, assim como o Tribunal de Contas está me aprovando. DS: O senhor pretende retornar ao cenário político de Suzano no futuro? Tokuzumi: Sou uma pessoa bastante realizada, tanto no campo político, quanto no profissional. Na vida política, depois do Estevam, a nível municipal, sou o político de maior sucesso. Fui eleito vereador com 25 anos de idade. Fui ser secretário de Obras com 30 anos. Depois ganhei eleição como vice do Estevam Galvão. Onde fiquei dos 31 aos 35 anos. Depois em 1992 fui eleito prefeito, com 35 anos. Voltei depois de 16 anos. Tenho quatro mandatos políticos em Suzano. Ninguém se elege quatro vezes sem fazer nada. Tenho 18 anos de mandato. Hoje sou uma pessoa realizada. Por isso, hoje não tenho mais intenção de voltar para a política porque me sinto realizado. DS: Quais os seus planos para depois do fim do mandato? Tokuzumi: Volto para as minhas empresas. Continuo morando em Suzano. Muita gente diz que vou mudar de Suzano, que vou morar em Miami. Tudo história. Minhas empresas continuam em Suzano. Minha família mora em Suzano, meus amigos. Vou continuar minha vida aqui. E vou torcer muito para que o próximo prefeito tenha condições de levar a melhoria para o município. Fico muito feliz de estar deixando hoje o cargo, e me sinto realizado e feliz de ter prestado essa folha de serviço ao município.