A juíza da 2ª Vara do Trabalho de Suzano, Simone Aparecida Nunes, determinou a indenização de R$ 200 mil ao segurança suzanense da Santa Casa, Márcio Rodrigues da Silva, de 39 anos, que foi esfaqueado na recepção de oftalmologia do hospital. A ocorrência foi em setembro de 2014. Do total, R$ 150 mil são por conta de danos materiais e R$ 50 mil por danos morais. A Santa Casa pode recorrer. A Prefeitura informou que o processo ainda não foi encaminhado para a equipe de intervenção da Santa Casa. “Todos os fatos transcorreram na gestão passada e não foram informados pela gestão anterior durante a fase de transição de governo”, explicou em nota”. "Fizemos uma ação trabalhista cabível, pedindo a indenização pelo o que ele sofreu. Ação foi julgada e a juíza determinou. A juíza entendeu que o hospital teve culpa porque no dia o Márcio não tinha uniforme, nenhum equipamento de proteção, nenhum tipo de arma, sozinho no posto e não tinha rádio de comunicação para solicitar socorro. Toda essa omissão como empregadora da Santa Casa, entendeu como culpada", explicou o advogado do segurança Dario Reisinger. Ele comentou uma ação contra a administração também foi feita. "Pedimos também à Prefeitura, mas a juíza entendeu que embora o Executivo seja interventor, ele não responde solidariamente pela questão trabalhista". Para solicitar um auxílio de imediato, o advogado também vai procurar o prefeito Rodrigo Ashiuchi (PR), que assumiu o Executivo este ano, para pedir ajuda. O advogado afirmou que marcará uma reunião com o republicano. O objetivo será sensibilizar o prefeito com a história. HISTÓRIA A ocorrência aconteceu quando o segurança recebeu um telefonema. Uma secretária pediu que fosse até o local avisando que havia um senhor em estado de surto. Segundo ela, o rapaz estava procurando a esposa, que teria sido internada. Márcio foi ao local, presenciou o homem nervoso e quase agredindo a funcionária. Solicitou que se retirasse e disse que daria tudo certo. Depois que saíram da unidade e desceram a rampa de acesso do estacionamento, o autor golpeou o segurança na virilha, com uma faca de peixe. A vítima pensou que a faca não teria o atingido. Porém, quando acionava a polícia - e o criminoso fugia - Márcio ficou tonto e percebeu que estava ensanguentado. Não tinha ninguém nas proximidades. Ele correu de volta ao hospital, onde caiu com rosto no chão e acordou somente quatro dias depois na UTI. Funcionário do hospital há quatro anos, no início a vitima recebeu assistência de carros e exames de coleta de sangue. Além disso, pagaram exame particular, como de ultrassom. Depois que os exames começaram a aprofundar, a Santa Casa deixou de auxiliar o segurança e falaram que o resto seria de responsabilidade da Secretaria de Saúde. Atualmente, Márcio não pode trabalhar devido ao pé esquerdo, que sofreu atrofiamento em razão do golpe que levou. Ele sente choque no membro, que incha quando fica para baixo. O segurança só sai, quando vai ao médico passar com psiquiatra ou psicólogo. Mesmo assim, sente outras dificuldades. Isso porque a renda dele é baixa e resta R$ 200 para pagar gasolina e ir aos médicos. As consultas são de segunda e quarta-feira. Porém, o segurança tem ido somente um dia da semana, já que não tem dinheiro suficiente para locomoção. Ele corre risco de precisar amputar a perna, já que o atrofiamento pode se espalhar pelo membro. "Devido as minhas condições financeiras e físicas não consigo fazer muitas coisas. Solicito ajuda para que consiga viver melhor", disse Márcio. O autor do crime foi condenado por tentativa de homicídio. Ficou cerca de oito meses preso e no Dia das Mães foi solto.