O prefeito de Suzano, Rodrigo Ashiuchi (PR), determinou a abertura de um processo de sindicância para investigar supostos desvios de taxas de cemitérios, em Suzano, que podem chegar a R$ 170 mil. A sindicância vai apurar a conduta de um servidor público que, até então, cuidava da administração dos cemitérios São João Batista e São Sebastião. Após um período de investigação interna, no fim da tarde de sexta-feira uma ação conjunta coordenada pela Controladoria Geral do Município e pelas Secretarias de Segurança Cidadã, Administração e Planejamento e Finanças constatou fraude no recolhimento de taxas. A suspeita é que o funcionário, concursado há 18 anos, recebia do contribuinte os pagamentos, para sepultamento e exumação, por exemplo, e não os repassava ao Tesouro. Um Boletim de Ocorrência (B.O.) foi registrado como peculato no DP Central. O servidor de carreira está na Prefeitura de Suzano há 18 anos. Neste período, passou por várias funções, como coveiro e supervisor. Mais recentemente, era responsável pela administração dos dois cemitérios municipais. Dias atrás, o mesmo foi informado que seria transferido para o outro setor e, de imediato, apresentou resistência, solicitando prazo para "fechar a contabilidade". Ao ser acionada pela Secretaria de Administração, que estranhou os argumentos do funcionário, a pasta de Planejamento e Finanças confirmou queda na arrecadação dos cemitérios. As apurações iniciais indicam que o homem de 43 anos recebia dos contribuintes os valores das taxas cobradas pelo município, passando por sepultamento e exumação; que recibos eram entregues aos cidadãos; mas que os valores não eram lançados no sistema da prefeitura; nem o repasse era concretizado aos cofres locais. Uma ação de inteligência, então, foi deflagrada pela municipalidade. Ontem, ao ser questionado in loco pela Controladoria Geral, e pelas pastas envolvidas na investigação, o servidor assumiu a responsabilidade dos atos e devolveu aproximadamente R$ 62 mil em espécie. Além do dinheiro, foram apreendidos 19 talões de recibos que teriam sido usados para as cobranças. Segundo levantamento preliminar das secretarias de Administração e de Planejamento e Finanças, o montante devido pode ficar entre R$ 160 e R$ 170 mil. O funcionário e todo o material apreendido foram levados ao DP Central. O homem foi enquadrado no crime de peculato. O registro do B.O teve início às 17h30 e os trabalhos foram finalizados às 18h30. Na oportunidade, o servidor municipal foi interrogado e as pessoas arroladas como testemunhas, ouvidas, conforme detalha o secretário de Segurança Cidadã de Suzano, Fátimo Aparecido Rodrigues. "Ao que tudo indica, o funcionário mantinha posse de todos os valores. A suspeita surgiu quando o mesmo foi comunicado da transferência para outro setor e pediu alguns dias para 'finalizar a contabilidade' dos cemitérios. Tal atitude chamou a atenção da Secretaria de Administração, que acionou a pasta de Segurança Cidadã e a Controladoria Geral do Município. Com o auxílio da Secretaria de Planejamento e Finanças, constatamos que os repasses dos cemitérios sofreram queda significativa desde março do ano passado, ou seja, algo muito errado estava ocorrendo", pontua o gestor. Segundo o chefe da Controladoria Geral do Município, o advogado Murilo Inocêncio, o servidor foi intimado a se apresentar no departamento na amanhã, acompanhado do corpo jurídico do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Suzano. O secretário adianta que será garantido ao suspeito amplo direito de defesa e que uma sindicância será aberta por determinação do prefeito. "O funcionário será afastado de suas atividades profissionais e ouvido em sindicância. Se ficar comprovada a responsabilidade, ele poderá ser exonerado a bem do serviço público. Todas as informações colhidas na sindicância serão encaminhadas à Polícia Civil, que também investiga o caso. O governo do prefeito Rodrigo Ashiuchi é totalmente contra a corrupção. Justamente por isso, ele (o prefeito) fez questão de não só manter a Controladoria, mas, também, de fortalecer o órgão", complementa Inocencio.