O prefeito Rodrigo Ashiuchi (PR) anunciou ontem o primeiro resultado do Plano Municipal de Transição, Transparência e Controle da Prefeitura. No relatório, a administração encontrou irregularidades em 16 secretarias, como imóveis superfaturados, funcionários “fantasmas”, desvio de dinheiro, desperdício de R$ 1,5 milhão em obra da saúde, veículos públicos desaparecidos ou em estado deteriorado, assim como prédios públicos sem condições de uso (veja quadro completo ao lado). Os apontamentos foram feitos ontem no anfiteatro do Centro Cultural Francisco Carlos Moriconi. Na bancada, ao lado de Ashiuchi, estavam o coordenador do plano, Murilo Inocêncio, da Controladoria Geral; o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Wellington da Silva Santos; representando a Câmara, o vereador Marco Antonio dos Santos (PRB), o Maisena, e o vice-prefeito Walmir Pinto. O primeiro levantamento da situação patrimonial, material e imaterial da administração detectou problemas na pasta de Saúde, como 49 veículos registrados no patrimônio da secretaria, sendo que apenas 18 foram encontrados. Eles estão sem documentação, licenciamento e em estado de sucata. Além disso, o pente fino encontrou dois veículos do Samu em situação irregular, que geram multas ao Executivo. A situação da UPA do Jardim Revista chamou atenção. A unidade que tinha 70% da obra concluída quando foi parada, regrediu para 30% de conclusão, devido ao abandono. Para concluí-la, a Prefeitura precisa investir R$ 2 milhões. "Vamos analisar todo o funcionamento dela (UPA), porque como vocês viram, ela regrediu. Suzano tem uma dívida de R$ 1,5 milhão que temos que devolver ou aplicar no investimento na própria UPA, e não temos esse dinheiro", comentou o prefeito. Na Educação, a locação de um imóvel, em dezembro de 2016, para instalação de uma creche, está acima do valor de mercado e não atendendo as especificações de segurança, contendo piscina. Além disso, cinco veículos registrados como patrimônio da pasta não foram encontrados. Quatro de 16 ônibus escolares estão em estado de sucata. A Controladoria Geral detectou problemas de desvio de dinheiro, como o caso do desvio de taxas dos cemitérios. Ashiuchi afirmou que não se trata de um caso isolando, podendo haver outros desvios. "Não é um caso isolado, há muitas outras coisas acontecendo. Mas não posso ser leviano e colocar de forma irresponsável, sem a devida investigação da nossa corregedoria". O funcionário envolvido no caso dos cemitérios ainda não foi exonerado e se defende, afastado do cargo. O Executivo também acumula problemas como dois servidores "fantasmas", da Secretaria de Planejamento e Finanças, que há vários anos não foram detectados. As unidades dos Centro de Referência de Assistência Social (Cras) estão deteriorados, assim como diversos prédios da Prefeitura. Além de exageros em horas extras sem justificativa. “Detectamos, por exemplo, o pagamento de R$ 1 milhão por mês em horas extras, além de R$ 270 mil mensais em gratificações. No meu governo, não vou admitir a falta de critério e de bom senso com o dinheiro público”. A Controladoria Geral irá implantar um plano para gerar a economia de R$ 200 mil por mês e R$ 2,4 milhões por ano. "É importante frisar a todos como estamos pegando a Prefeitura. Não para chorar o leite derramado. É mostrar da onde estamos pegando e mostrar aos longos dos quatro anos, com outras apresentações, realizações e uma cidade transformada"disse. De acordo com ele, a administração está em uma situação mais difícil do que o esperado na transição. Inocêncio explicou que deve prosseguir com novas investigações. "A partir desse levantamento possamos traçar os planejamentos estratégicos. Entendemos que todo dia surge um fato novo conforme investigamos. O prefeito deve estipular um prazo maior para o fechamento desse plano, que inicialmente seria hoje". O DS tentou contato com o ex-prefeito Paulo Tokuzumi (PSDB), porém não conseguiu.