Os estudantes da Escola Estadual Professor Doutor Giovanni Battista Raffo, que moram no Jardim Nova América, cerca de 30 minutos de distância a pé, estão sem o ônibus escolar. O serviço, que era prestado até o ano passado, desde o início do ano letivo está interrompido e a escola não sabe informar quando as crianças serão atendidas. Para ir até a unidade de ensino, os jovens precisam se arriscar pela Rodovia Índio Tibiriçá (SP-31). "Não vai mais ter. A professora falou que não teve mais notícia do ônibus", comentou a estudante de Evellyn Lorrana Silva Santana, de 12 anos. Ela estuda de manhã, já sua irmã, Emillyn, de apenas 10 anos, à tarde. Sem o ônibus, o pai das duas, Valdecir Santana da Costa, de 38 anos, procurou a secretaria para transferir uma das meninas para que ambas estudem no mesmo horário. "Vou ter que trazer agora. De repente eles avisaram que não vai mais ter o ônibus. O caminho é de uns 30 minutos a pé. A professora disse que não tinha informação. Eles não avisaram nada. O pessoal vai ter que trazer os filhos. Quem tem carro menos mal, quem não tem... Por isso vou mudá-la de horário. Não tem como deixar uma de manhã e uma a tarde. E tem dias que terei que trazê-las a pé, porque com a gasolina do jeito que está, fica difícil", comentou o operador de máquina. Para quem tem condições de acompanhar os filhos, o transtorno é apenas tempo e dinheiro. Mas não é o caso da moradora do Jardim Nova América, Andréia Bezerra de Lima, que trabalha como auxiliar de enfermagem. "As crianças estão vindo andando. É um trajeto perigoso. Eu não tenho tempo de levar minha filha de 13 anos. Eu já liguei pra Secretaria e eles não informam nada. Parece que o governo está cortando verba", comentou. A filha de Andréia está faltando às aulas desde o início do ano letivo. "Desde o início está esse perrengue. E se acontecer uma criança ser atropelada da rodovia, como o Estado vai assistir?', comentou. A Diretoria Regional de Ensino de Suzano, por meio da Secretaria Estadual de Educação, informou que não se trata de corte financeiro e informa que os alunos serão atendidos. Por conta da reclamação de empresas concorrentes da licitação, o Tribunal de Justiça suspendeu o pregão. Mas a Diretoria já encaminhou os documentos necessários ao setor responsável na Secretaria da Educação e nos próximos dias será publicada em Diário Oficial a autorização para que uma empresa seja contratada via contrato emergencial. "Assim que isso ocorrer, os alunos voltarão a ser atendidos normalmente".