A Secretaria de Educação informou que vai seguir oferecendo o transporte escolar para as crianças da rede educacional, de acordo com a lei federal. A regra determina que devam ser atendidos alunos da Educação Infantil que moram a mais de um quilômetro e do Fundamental, a mais de dois quilômetros de distância da unidade de ensino. O anúncio foi feito em resposta as reclamações de pais que não conseguem ser atendidos pelo serviço (veja em matéria ao lado). De acordo com a Prefeitura, as reclamações que vieram dos pais da Escola Municipal Ana Rita Gomes, no Jardim Margareth, não levam em consideração a legislação, já que "a Secretaria está cumprindo a legislação e todas as crianças que têm direito ao transporte escolar estão sendo atendidas". A pasta divulgou ainda que a nova gestão encontrou uma frota de ônibus mal cuidada, com problemas de manutenção. Tanto que oito ônibus estavam parados por conta destes problemas, mas já foram reparados e estão rodando. A secretaria afirma que se o benefício for estendido a quem não tem direito, as crianças que têm direito podem sair prejudicadas. Segundo a administração, as prioridades da secretaria nestes primeiros 40 dias de gestão foram colocar as escolas em ordem com manutenções emergenciais e recolocar a frota para rodar, de acordo com o órgão. Os ajustes começam a ser feitos, conforme a necessidade. A pasta diz que as reclamações serão verificadas pela equipe e os ajustes devem ser feitos conforme as avaliações técnicas. Sobre a condição das ruas no bairro Recreio Sertãozinho, onde moram vários alunos que estudam no Jardim Margareth e reclamam de buracos e dificuldade para andar com as crianças, a Secretaria de Obras, Manutenção e Serviços Urbanos afirma que já realizou o início das melhorias no trecho (veja mais na página 5).
Pais contam que filhos sofrem sem transporte escolar
Os alunos da Escola Municipal de Ensino Infantil e Fundamental (Emeif) Professora Ana Rita Gomes, no Jardim Margareth, sofrem sem o transporte escolar. De acordo com os pais, as crianças, de 4 a 6 anos, precisam andar até 30 minutos embaixo do sol do meio-dia, pelas ladeiras do bairro, por não terem o direito ao transporte. Além disso, as condições das ruas, que estão cheias de buracos e não possuem calçadas, preocupam. Érica Maia dos Santos, de 28 anos, mora na Rua Lázaro Marçal de Camargo, no bairro Recreio Sertãozinho, passou a manhã e à tarde de ontem tentando resolver o problema do transporte escolar. Sua filha, de 6 anos, não tem direito ao serviço porque mora a 1,7 quilômetro de distância da escola. "Agora eu estou tentando transferir ela para uma escola estadual. Eu consegui a vaga lá, mas me disseram que ela não tem direito ao transporte porque ela está saindo de uma escola próxima", contou. O morador Sergio de Andrade, de 24 anos, também sofre com o mesmo problema. "Minha esposa está grávida e eu preciso trabalhar. São 20 minutos de caminhada. Dizem que não tem ônibus, que está lotado. Porém, a gente vê o ônibus circulando vazio. Eu não tenho condições de pagar o transporte particular. Ele (o filho) tem 4 anos. É cansativo pra ele. Sobe chorando. É complicado", contou. A escola está situada em um ponto baixo do bairro e os pais e alunos precisam subir a ladeira para as residências e bairros mais próximos. "O problema não é nem andar e sim que não tem nem calçada. Temos que passar com as crianças na rua, no meio dos buracos, do esgoto. A secretaria disse que não iríamos conseguir o transporte. O transporte privado é sem condições para mim", contou Carla Rosilvânia Siqueira, de 27 anos. Ela precisa carregar os três filhos de 8, 7 e 2 anos, por cerca de 20 minutos. (R.J.)