Mesmo após a crise hídrica - vivida pelo Alto Tietê entre início de 2014 e março de 2016 - e a recuperação do Sistema Produtor Alto Tietê (Spat), a população da região não deve se descuidar e esquecer os hábitos adquiridos durante a temporada de seca. De 2014 a abril de 2016, foram economizados cerca de 13,5 bilhões de litros de água no Alto Tietê. O volume é suficiente para abastecer uma cidade com 340 mil moradores por um ano. Os dados foram divulgados recentemente e estão registrados no programa de incentivo à redução do consumo (bônus e ônus), lançado pela Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), em 2014, e encerrado em abril do ano passado.
De acordo com o balanço, o volume consumido em Arujá, Biritiba Mirim, Ferraz de Vasconcelos, Itaquaquecetuba, Poá, Salesópolis, Suzano e bairros da divisa de Mogi das Cruzes em 2016 teve uma redução de 8,02% em relação a 2013, período anterior à crise. "Considerando o ano de 2014 como base, essas cidades apresentaram uma redução no consumo de água de 11,3% em 2015, e 5,6% em 2016. Um dos maiores ganhos para o Estado foi justamente essa nova postura da população de usar a água de maneira mais racional e consciente, ajudando de forma crucial no combate à crise e na preservação dos mananciais", completa a companhia.
A Sabesp também adianta que mesmo com o fim da crise hídrica, ela continua com ações de conscientização quanto ao consumo racional da água, com palestras de sensibilização realizadas em escolas, comunidades e empresas, por exemplo.
SISTEMA
Para se ter uma ideia, em 1º de março de 2013, um ano antes da crise, o Spat operava com 59,8% da capacidade. No mesmo dia de 2014, o sistema estava com 38,9%, tendo sofrido redução de 20,3% na mesma data do ano seguinte, quando chegou a 18,6% da capacidade. No período, diversas cidades da região sofreram com a redução do abastecimento. Em contrapartida, no início de março do ano passado, o volume armazenado nas represas da região iniciaram a recuperação e chegaram a 43,6%. Ontem, segundo balanço diário apresentado pela Sabesp, o Spat operava com 52,6% da capacidade, quase o mesmo volume registrado no período anterior a crise hídrica.
O sistema abastece atualmente mais de 1 milhão de habitantes do Alto Tietê. Os bons índices das represas que abastecem a região também se estendem para as demais bacias do Estado, o Cantareira, que teve o pior cenário desde o início da crise hídrica, operava até ontem com 92% e 71,2% nos dois primeiros volumes e 62,8% no terceiro - o considerado volume morto -, o Guarapiranga trabalhava com 76,7% e o Alto Cotia com 100,5%. Já o Rio Grande e Claro estão com 90,6% e 95,9%, respectivamente.