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Cidades

Justiça Federal determina reintegração de 100 apartamentos

09 março 2017 - 08h01 Por Gabriely Machado

O juiz federal de Mogi das Cruzes, Bernardo Julius Alves Wainstein, determinou para hoje, a partir das 6 horas, a reintegração de posse de 100 apartamentos do Condomínio Residencial Djair Dias, localizado na Estrada do Marengo. O local está ocupado há mais de 3 anos e tem cerca de três mil metros quadrados. Mas ontem, ao tomarem conhecimento da decisão judicial, os moradores começaram a deixar os apartamentos. A ação de hoje terá o apoio de policiais do 32º Batalhão, que informou que diversas reuniões foram realizadas para planejar a execução de forma pacífica. Segundo moradores, uma notificação, a respeito da desocupação do espaço, foi emitida há 20 dias. Porém, a advogada Ângela Quirino esteve recorrendo durante o período. Por isso, a movimentação para deixar o local começou a ser intensa nos últimos dois dias. Ontem, poucas famílias ainda resistiam à mudança, uma delas é a da Elizângela Alves de Souza. Com seis pessoas morando no apartamento, a dona de casa alega não ter para onde ir. "Quem tem para onde ir, vai, quem não tem é só por misericórdia. Moramos aqui há três anos e meio. Estamos levando nossas coisas de pouco em pouco para casas de parentes, está tudo espalhado por aí. Hoje (ontem) é o prazo oficial para desocupar e, nós mesmos, não sabemos onde vamos ficar". Funcionários do Setor de Habitação, da Secretaria de Planejamento Urbano, estiveram acompanhando a movimentação. Caminhões também foram cedidos para mudanças de curta distância. O técnico em refrigeração José Eduardo de Lima Gama reclama da assistência recebida. "Não tivemos assistência social nenhuma, se tivéssemos já teriam nos ajudado a regularizar esta situação. Agora vamos nos mudar e até meu filho, que estuda e faz curso aqui perto, vai ser prejudicado. Não tem condições de ele voltar sozinho à noite para a casa que vamos alugar. Não recebemos nenhum auxílio aluguel, estamos realizando um cadastro para moradia". José Eduardo disse que, assim como outros moradores, comprou o apartamento invadido por um preço acessível. O ocupante acredita que 90% residentes já deixaram o condomínio. "Há dois anos e meio, paguei R$ 15 mil para morar aqui. A gente buscava acordo com a Caixa Econômica para regularizar a situação. Tem moradores que investiram aqui, reformaram tudo e agora estão deixando a casa. Eu dediquei minhas férias a este apartamento. A maioria das pessoas aqui são trabalhadores e família. Não vejo indícios de resistência".

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