Passageiros atrasados e salas vazias. Este foi o cenário de ontem nos terminais de ônibus e nas escolas de Suzano e região por conta da greve geral. As ações aconteceram da meia-noite até as 8 horas de ontem e teve por objetivo ir contra a Reforma da Previdência. Em Suzano, apenas os ônibus municipais e o transporte alternativo estavam operando no período de paralisação. Às 8h15, os primeiros ônibus intermunicipais chegaram ao Terminal Norte. Poucos passageiros eram vistos dentro dos ônibus. Os suzanenses ficaram preocupados com o horário que iriam chegar ao trabalho ou até mesmo em casa. Uma das prejudicadas foi a depiladora Eliana Crispim. Ela comentou que estava atrasada há uma hora para chegar ao expediente, que fica em Mogi das Cruzes. "Normalmente, os ônibus já demoram, tem serviço precário e em dia de manifestação as condições, com certeza, pioram. Entro às 9 horas e estou há uma hora atrasada. Já liguei para o chefe e avisei que vou demorar", lamentou. Esse é o caso também da auxiliar de enfermagem Cássia Alves, que ficou esperando duas horas, no terminal, o ônibus para voltar a casa. "Saio 6 horas do meu serviço e tive que esperar dar a hora dos ônibus começarem a circular. Sem condições uma coisa dessa. Estou muito cansada. Deveriam paralisar outro horário", argumentou. Já a cabeleireira Luciana Leitão disse que perdeu o horário do ortopedista que tinha marcado em outra cidade da região. "Uma consulta que foi difícil de marcar e agora não conseguirei ir. Mas, acredito que a paralisação é por uma causa justa para o País", ressaltou. A paralisação também nas escolas estaduais e municipais. O Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) de Suzano afirmou que 95% das 45 escolas estaduais existentes no municipio aderiram a ação. Sem a presença de cerca de 1,8 mil professores da rede, as aulas foram suspensas. A Secretaria de Estado da Educação lamentou o episódio e disse que “mesmo com mais de 93% das escolas em funcionamento, o conteúdo perdido por alunos devido à ausência de professores será reposto”. Entre as unidades que fecharam às portas estão: a escola Professor Carlos Molteni, localizada no Parque Maria Helena, a qual havia apenas trabalhadores do setor administrativo; e, a unidade Professor Geraldo Justiniano de Rezende Silva, na qual a direção abriu o local para 60 alunos. Isso porque os estudantes não tiveram aviso prévio da paralisação. Assim, um professor deu aula, no período da manhã, para 30 alunos e outra metade no período vespertino. Na região, as escolas municipais também paralisaram. Em Itaquaquecetuba,53 unidades municipais fecharam às portas, 17 não funcionaram parcialmente e 1 normalmente. A administração informou que entende a legitimidade da manifestação e liberou os professores para que participassem do movimento, compensando este dia em data a ser definida pela Secretaria de Educação. Já em Ferraz, 23 unidades municipais ficaram paralisadas, além de 13 creches. No total, 80% dos professores da rede aderiram a manifestação. A Prefeitura informou que as aulas serão repostas. Em Mogi das Cruzes, apenas três das 206 escolas municipais tiveram as atividades paralisadas. Poá esclareceu que nenhuma unidade ou professor aderiu a paralisação.