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Cidades

Ciberataque ao site do TJ-SP prejudica cumprimento de reintegração

18 maio 2017 - 08h01 Por Gabriely Machado

O processo de cumprimento de reintegração de posse no conjunto habitacional Bosque das Flores, no Jardim Europa, foi prejudicado pelo ataque cibernético que atingiu redes de computadores de todo o mundo na semana passada. De acordo com a advogada do caso, Ângela Quirino, o procedimento foi adiado por conta de hackers invadirem o sistema do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP). A desocupação dos apartamentos era aguardada para esta semana. Ângela conta que entrou com recurso de agravo de instrumento, em defesa às famílias. "O recurso é a tentativa de revogar a liminar. A expectativa é de que uma decisão seja tomada até sexta-feira (amanhã). A proposta levantada pela Prefeitura foi apenas a suspensão da reintegração por 15 dias". A desocupação prevista, inicialmente, para o começo mês foi adiada em 15 dias, após pedido da Prefeitura à Justiça. Na ocasião, quando o processo foi adiado, os ocupantes ainda pleitearam a possibilidade de retornar ao conjunto após a regularização da situação. Isso porque os moradores possuem cadastro no programa federal Minha Casa, Minha Vida. O empreendimento, voltado ao projeto, foi elaborado pela construtora Cury e financiado pela Caixa Econômica Federal. Com os rumores da possível reintegração, os ocupantes pretendem cobrar a municipalidade sobre o acordo proposto semanas atrás. "Vamos atrás do prefeito (Rodrigo Ashiuchi - PR) apenas para confirmar se os reparos nos apartamentos serão mesmo realizados em 90 dias e se, após este período, teremos o condomínio de volta. Ficou certo de que retornaríamos aos barracos durante as obras. Algumas famílias ainda têm direito ao auxílio-aluguel", diz a líder do conjunto, Luciana "Da Hora". De acordo com a dirigente, 380 pessoas cadastradas no programa habitacional foram aprovadas, outras 90 não conseguiram. "Cerca de 20 pessoas já deixaram os apartamentos temendo repressão no dia da reintegração. Isso não vai acontecer, mas temos medo de sair e outras pessoas ocuparem o local e depredem tudo, como já aconteceu em outras ocupações. Cuidamos do que é nosso. Não estamos mexendo no material de construção da empresa", explica Luciana no escritório improvisado. O local abriga documentos e comprovantes sobre a regularização de cada família. A maior parte dos ocupantes vem da comunidade Portelinha e Beira Rio. As localidades são áreas de risco onde, segundo os moradores, as crianças viviam entre ratos, cobras, mato e muita droga. A Prefeitura informou que quando houver a reintegração, se a for acionada, dará o apoio costumeiro oferecido neste tipo de ação: “o acompanhamento geralmente é feito por equipes da diretoria de Habitação, da Secretaria de Planejamento Urbano e Habitação, da Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social, assim como o apoio de equipes da Guarda Civil Municipal (GCM), da Secretaria de Segurança Cidadã - que estará presente para dar respaldo à integridade física dos agentes públicos do município durante os trabalhos”, informou em nota.

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