A empresa Radial Transportes verificou o desligamento de cinco motoristas, neste ano, que pediram demissão do cargo após sofrer ameaças nas linhas municipais de Suzano. A empresa informou que três Boletins de Ocorrências (B.O.s) também foram registrados sobre os casos. Contudo, o número pode chegar a 15, uma vez que muitos funcionários não depõem à polícia por medo de represália dos agressores.
De acordo com a Radial, os funcionários sofrem “agressões diárias, verbais e físicas, assédio, e manobras que colocam em risco a vida do motorista e dos passageiros”. A nota ainda pontua que, nos últimos anos, foram registrados cerca de 30 Boletins de Ocorrência. A empresa diz que há um clima de "grande tensão psicológica" e que passageiros chegam a registrar as ocorrências por meio de vídeo.
O Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Transportes Rodoviários e Anexos de Mogi, Suzano e Região também denunciou a situação. De acordo com o presidente da entidade, Félix de Barros, uma comissão de pelo menos 20 motoristas procurou o sindicato. “Há 30 dias recebi a comissão, que procura ajuda referente a isso. Os casos acontecem, principalmente, nas linhas do Distrito de Palmeiras”.
Félix protocolou um ofício junto à Secretaria de Trânsito e Mobilidade Urbana há duas semanas. “Buscamos o secretário (José Alves Pinheiro Neto) Netinho, a fim de que se sensibilize com a situação e fiscalizasse as vans. Para ver se esses funcionários são motoristas aptos, com cursos e a preparação necessária para a profissão. A gente acha estranho um motorista profissional ter essas atitudes”, diz.
“Os trabalhadores se chateiam porque são pais de família, que chegam de madrugada para trabalhar, e agora sentem medo de serem coagidos. Não é justo. Motorista profissional segue requisitos. Não é simplesmente dirigir um veículo e ameaçar as pessoas. Queremos que a secretaria tome providências. Aguardamos isso”, afirma Félix.
A Suzan Cooper, responsável pelo transporte complementar na cidade, não atendeu aos telefonemas da reportagem. “Acredito que Cooper não orienta (os funcionários) a fazer isso, tem que ver se esses motoristas são aptos”, pontua o presidente do sindicato.
A Secretaria de Transporte e Mobilidade Urbana informou que vai apurar a situação e, eventualmente, aplicar as sanções legais aos responsáveis. “Concomitante a isso, a pasta está estudando, por meio do Departamento de Educação de Trânsito, a implantação de uma capacitação para que haja mais contato entre os motoristas de ônibus e do transporte complementar”, destacou a nota.