As linhas 11-Coral e 12-Safira, da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), somam 672 quedas de passageiros nos vãos entre o trem e a plataforma. O índice representa 67,9% do total de 989 ocorrências registradas em toda a malha férrea, que contabiliza uma média de 2,6 quedas por dia. De acordo com dados apontados pela Agência Mural, por meio da Lei de Acesso à Informação, as distâncias dos vãos chegam a 46 centímetros (cm)- quatro vezes maior que o permitido pelas normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). O recomendado é um vão de 10 centímetros.
A Linha 12-Safira contabilizou 142 quedas, no ano passado, e possui três estações no ranking de maior largura dos vãos, analisados pela Agência Mural. Aracaré lidera a listagem com 46 cm de distância entre o trem e a plataforma. Itaquaquecetuba aparece na terceira posição com 41 cm, o mesmo distanciamento verificado na segunda colocada, a Estação Antônio João, da Linha 8-Diamante. Calmon Viana é a nona na lista, com 33 cm.
Em contrapartida, a Linha 11-Coral conta com quatro estações que apresentam menores larguras. Braz Cubas é apontada na primeira posição, com apenas 2 cm de distância, Estudantes com 5 cm, seguida por Guaianases com 6 cm, Dom Bosco e José Bonifácio com 9,5 cm. Nesta via, 530 quedas foram verificadas no ano passado. Em comparação a 2015, o número aumentou 13%.
Além da distância do vão, outros fatores influenciam para as quedas recorrentes, como a ausência de extensão das portas, mudança nos níveis de altura ao longo de uma mesma plataforma e degraus altos entre o vagão e a plataforma.
Em nota, a CPTM esclareceu que o espaço dos vãos é consequência da inexistência de uma via para o transporte ferroviário de cargas, que transitam nos mesmos trilhos que os passageiros. "Os trens de carga são mais largos que os trens de passageiros, o que provoca a diferença nos vãos. A separação dos tráfegos depende da implantação do Ferroanel, pelo governo federal, defendida pelo governo do Estado de São Paulo não apenas pela segurança dos usuários, mas também para sanar um gargalo logístico".
Para evitar acidentes, a companhia disse que aposta na orientação dos usuários sobre o embarque e desembarque, através de avisos sonoros nas estações. "Cabe salientar que a CPTM está realizando intervenções para adequar o nível das plataformas, a fim de atender às pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida. Na Estação Jundiapeba já foram realizadas intervenções. Já em Brás Cubas, as obras estão em andamento e, em breve, será a vez da Estação Estudantes. Para a Estação Mogi, a previsão é publicar o edital para contratação de obras de adequação até o fim deste ano. Também serão feitas adequações de acessibilidade em outras 34 estações, que estão em fase de contratação de projeto", completou.