Suzano registrou a apreensão de 139 menores infratores durante os sete primeiros meses deste ano. A taxa caiu 2,1% em comparação mesmo período de 2016, quando o município teve 136 casos. Entre flagrantes e apreensões por mandatos, o último foi o que teve aumento, passando de 15 para 25. Já os flagrantes reduziram em 2,4%, de 124 para 121 ocorrências. Em todo o Alto Tietê, a redução foi 10,2%. Os dados são da Secretaria de Estado da Segurança Pública (SSP).
O valor apresentado neste ano em Suzano representa 24,5% do total de prisões observadas na cidade. Para o especialista em segurança pública Jorge Lordello, a incidência das apreensões de infratores reflete uma série associada de fatores. "É um problema nacional. Tem fatores que colocam o menor como uma massa deficiente que comete crimes, fato que não tinha antes, há 20 anos. Primeiro, o principal é antecipação de fases, ou seja, o jovem tem experiências nas adultas mais cedo. Segundo, pais que não conseguem estabelecer limite aos filhos. São fatores que andam juntos e criam o ambiente fértil para o jovem se envolver na criminalidade".
Lordello defende a redução da idade penal. "Eu entendo que o Estatuto da Criança e Adolescente (ECA) tem medidas sócio-educativas muito brandas, principalmente com crimes de violência. Um menor homicida fica, em média, um ano e meio apreendido e volta para a rua. Vemos diversos menores de idade com muitas apreensões, isso gera uma sensação de impunidade", disse. "Temos um contexto a ser analisado. Na Fundação Casa, apesar de ter superlotação, os infratores são bem tratados, tem todo o ambiente para recuperação. Antes da regeneração, vemos que o aspecto punitivo que é brando. Há um falso entendimento de que todas as pessoas são regeneráveis. Nessa massa de carcereiros, temos psicopatas, viciados violentos, pessoas de má índole. É uma gama de gente que não consegue viver em sociedade sem cometer violência".
Alto Tietê
Em toda a região, 630 infratores foram apreendidos neste ano. São 81 casos a mais, em comparação ao registro de 2016, quando 711 ocorrências foram verificadas. A cidade com ‘o maior número de episódios foi Mogi das Cruzes, com 240 apreensões. O município é seguido por Suzano e Itaquaquecetuba, com 115 casos. Das 10 cidades, sete apresentaram redução nas taxas.
Apesar da queda, Lordello acredita que cada área merece uma atenção especial. "A análise tem que ser feita com muita apuração. Cada região demanda um entendimento óbvio, por exemplo, no bairro do Jardins, em São Paulo, não existe problemas com menores infratores", disse. "O que acontece hoje é que temos um super tratamento, sem a certeza de recuperação (dos infratores). Nossa preocupação é que, quando essas pessoas do mundo do crime são violentas, tem que retirar da sociedade".