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Semáforos

Ambulantes de Suzano arrecadam em média um salário mínimo por mês com vendas no trânsito

Marreteiros alegam que a fiscalização incisiva de agentes municipais tem atrapalhado os ‘negócios’ efeito as vendas caírem

10 setembro 2017 - 11h50 Por Marília Campos - De Suzano

As vendas efetuadas nos semáforos da região central de Suzano conferem até um salário mínimo por mês aos ambulantes que comercializam, entre outros produtos, barras de chocolate, balas, garrafas d'água e equipamentos para carros. Contudo, a fiscalização incisiva de agentes municipais tem atrapalhado os negócios de quem precisa do meio para sustentar a família.

Na esquina entre a Avenida Armando Salles de Oliveira e a Rua Prudente de Moraes, o ambulante Luís Carlos Rodrigues atua há oito anos. "Ajudo minha mãe cadeirante. Ela está há quatro anos acamada. Só com o 'Auxílio Idoso' não dá para se manter. Na casa, vivem apenas nós dois", disse o homem de 55 anos, morador do bairro Parque Maria Helena. Sem oportunidade de emprego, Luís Carlos arrecada diariamente cerca de R$ 50 com a venda de doces no cruzamento. "Agora, com a fiscalização, a gente trabalha com medo. Por isso o movimento também é fraco, são R$ 30 ou R$ 40".

O ambulante conta que desde a última semana a fiscalização tem sido taxativa. "Um companheiro de vendas teve prejuízo de R$ 3 mil em produtos". Nivaldo Luiz Freitas é outra pessoa atuante na área há cinco anos. "Na realidade eu trabalho com andaimes, nas obras. Mas como se trata de um serviço periódico, eu também vendo no farol para ter renda", disse. "É um trabalho de risco, estamos sujeitos a tudo. Meu pai, que também trabalha aqui em outro horário, já foi atropelado", relatou o rapaz de 28 anos, morador do Boa Vista, na região norte da cidade. As barras de chocolates são vendidas a um preço médio de R$ 5, enquanto as garrafas d'água são R$ 2.

Já os equipamentos para carros, como capas para bancos e volantes, carregadores e suportes de celular, custam de R$ 15 a R$ 30. Há 20 anos Edinei Dias dos Santos comercializa as capas de volantes e protetores de vidros no semáforo da Rua Felício de Camargo. "Sou fixo aqui desde criança, comecei com 16 anos, e sempre foi assim. Consigo um salário mínimo por mês. Há uns sete anos a fiscalização não pegava tanto, agora eles (os agentes) estão de volta". O ambulante é pai de seis filhos, paga pensão a quatro deles, vive no Itaim Paulista e se locomove a Suzano todos os dias da semana.

"A gente acaba meio que cuidando da rua. A gente fica de olho no movimento, não deixa ninguém 'zoar' os carros estacionados, nem os muros dos prédios, e também já corremos atrás de assaltante". De acordo com o homem, a área da Rua Felício de Camargo é dominada por cinco ambulantes. "A gente mandou alguns caras do rodinho 'vazar' porque estavam causando baderna".

De acordo o Departamento de Fiscalização de Posturas da Secretaria de Manutenção e Serviços Urbanos, paletas de limpadores de para-brisa, capas de bancos de veículos e acendedores de cigarro foram retirados de circulação. Até agosto, o setor também já apreendeu 100 mil mídias CDs e 10,2 mil maços de cigarros. Além disso, as equipes têm orientado sobre os perigos dos produtos contrabandeados sobre vagas de trabalho do Posto de Atendimento ao Trabalhador (PAT). A pasta ainda destaca que a atuação de menores de idade constitui exploração infantil.

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