O geógrafo e escritor Ivan Rubens Dário Jr., em entrevista do DS, comentou o lançamento do livro 'Pedagogias da Cidade: Corpos e Movimento', que fala sobre a atuação do orçamento participativo em Suzano no período de 2005 a 2008.
O orçamento participativo é um instrumento governamental que permite aos cidadãos influenciar ou decidir sobre a questão de orçamentos públicos.
Ivan conta que começou a investigar a relação entre o morador e a cidade, considerando questões geográficas e espaciais alinhado à educação. "Já tinha em mente essa pesquisa em 2005, na época em que o Marcelo Candido era prefeito de Suzano. O orçamento participativo aconteceu durante a gestão dele, entre 2005 e 2008. Após isso, organizei e ingressei no mestrado em Educação em 2014 e apresentei a dissertação em 2016".
A pesquisa do geógrafo foi aprovada e, após isso, foi feita a publicação do livro pela editoria Appris. "Passei de uma linguagem acadêmica para uma literária e mais acessível, justamente para o cidadão comum que tiver interesse em ler o livro conseguir entendê-lo".
De acordo com Ivan, a importância do orçamento participativo começou em Porto Alegre, durante a década de 1990. O geógrafo escreveu o livro com o objetivo de caracterizar e mostrar a cidade de Suzano. "O orçamento participativo começa no processo eleitoral, em 2004. Eu e o Marcelo Candido líamos vários e textos e em um deles veio a ideia de montarmos um lugar que sediaria nossos pensamentos e ideias sobre Suzano. Essa forma de governo foi às ruas e chegou aos bairros. Todos eram convidados. As pessoas sabem do que a cidade precisa e a participação delas é importante".
Ivan afirma que no livro é retratado como o orçamento participativo se consolidou em Suzano e como era organizado.
O escritor explica que a população participava de reuniões preparatórias e depois de uma plenária deliberativa, na qual eram discutidas principais pautas e pedidos da população. "O orçamento participativo é um instrumento de planejamento com e para a população. Toda Prefeitura precisa elaborar projetos ao longo dos anos. Isso pode ser feito de forma ampliada ou fechada entre os políticos e a população".
Para aproximar a população dos representantes, uma caravana era organizada com o intuito de os conselheiros eleitos recolherem sugestões dos moradores dos bairros.
Lei
Quando questionado se deveria existir uma Lei que tornaria obrigatório o orçamento participativo, Ivan pontua que "a lei representa o Estado. O orçamento participativo tenta trazer a vida da cidade para as peças legais. Não é uma questão de disciplinar juridicamente, mas sim uma questão de movimento político. Não é a lei que garante a existência de orçamento participativo tão atuante como o que tivemos em Suzano".
"Muitos criticam a questão da participação da população. Não foi uma questão tranquila, pois existe tensão entre a democracia representativa e direta. Eu sou a favor da democracia. As relações políticas não podem ser fechadas, pois a democracia não se amplia", emenda.
Ivan frisa que a participação das mulheres na época em que o orçamento participativo atuava na cidade era forte. "Era uma presença maciça das mulheres nas plenárias. Porém, momento de eleger um representante, os homens eram candidatos e eleitos".
Questionado se o orçamento fosse aplicado no atual cenário da política brasileira, o geógrafo reitera: "depende do lugar e depende do político. Tem um acirramento hoje. As relações estão violentadas e acontece uma desumanização da política. Mas sou esperançoso e creio que isso vai passar".
O livro está disponível nas bibliotecas públicas da cidade e pode ser adquirido por meio de encomenda no site da livraria Appris.