Levantamento feito pelo Instituto Locomotiva e o Sindicato dos Professores de São Paulo (Apeoesp) mostra que um em cada três professores da rede pública estadual (34%) já foi discriminado ou importunado por expor opinião em sala. Para diretora da Apeoesp em Suzano, Ana Lúcia Ferreira, a cidade vive o mesmo cenário que o restante do Estado, e que essa situação "é reflexo da sociedade em que vivemos".
A pesquisa, divulgada na última quarta-feira, 18, aponta ainda que 38% dos alunos da rede passaram pela mesma situação. Foram ouvidos 1.000 alunos e 701 professores de 14 cidades, entre 5 de setembro e 1° de outubro, e a margem de erro é de 2,4 pontos percentuais.
A diretora pontuou os problemas que os profissionais enfrentam na profissão. "Professor tem jornada de trabalho forte, não tem muito material de trabalho e precisa lidar com muitos adolescentes, mais de 40. Não tem como não passar por algo que abale uma relação com os alunos. A violência tem em todo o lugar, e não é só física", afirma Ana Lúcia.
Ela também culpou as autoridades pelo problema. Para a diretora, as pessoas que estão no poder não são preparadas e desconhecem o sistema de uma escola. "Com um ministro da Educação como esse que temos hoje, quer o que? Ele não conhece sobre a escola. Quando o jovem vê autoridades maiores no país com opiniões homofóbicas e de extrema direita, vai na linha de que "se ele pode, eu também posso", lamenta Ana Lúcia.
Para resolver o problema, a diretora pede mais respeito por parte das autoridades e investimentos na educação. "Falta que eles conheçam o que estão fazendo e invistam mais em escolas públicas, que é onde estão os filhos dos trabalhadores", opina a diretora.
SECRETARIA DE EDUCAÇÃO
Segundo a Secretaria de Educação do Estado, a pesquisa encomendada e divulgada pela Apeoesp “ não tem credibilidade técnica por estar ligada a uma entidade que possui interesses políticos partidários”. Segundo a secretaria, a maioria dos dirigentes da Apeoesp é ligada ao PT. “Além de ouvir somente 1.000 estudantes nas escolas estaduais, o que corresponde a ínfimos 0,028% dos 3,5 milhões de alunos da rede, induz respostas que só dão margem ao que a Apeoesp deseja legitimar”.
Segudo a secretaria, o mesmo acontece com as supostas entrevistas feitas com professores por telefone. A análise afirma ter escutado 701 professores por telefone. Hoje há cerca de 190 mil docentes, com diferentes características.
“Construída de maneira enviesada a pesquisa não reflete a realidade da rede estadual de educação. Formar pessoas prontas para o exercício da cidadania e capacitadas para o mercado de trabalho é premissa da Secretaria da Educação do Estado, que sempre esteve aberta ao diálogo com todas as representações sindicais da rede pública estadual de ensino”.