Com o objetivo de legalizar o uso de Linhas Esportivas de Competição (LECs), amantes da prática de empinar pipas pedem a criação de áreas restritas para a brincadeira, os chamados "pipódromos".
A ideia surge com base na lei 8.562/19, que foi sancionada há cerca de um mês no Estado do Rio de Janeiro pelo governador Wilson Witzel (PSC). Ela regulamenta a utilização de espaços públicos para a realização de festivais de pipas.
Em nota, a Prefeitura de Suzano afirmou que não foi procurada por nenhum munícipe para tratar sobre o assunto. A cidade tem a campanha "Pipa Legal", que conscientiza e fiscaliza o uso de linhas cortantes. Ela visa inibir o acesso ao material, ressalta que o uso é proibido conforme lei municipal e prevê multa e recolhimento do produto.
A questão é que poucas pessoas respeitam a lei. Só em 2018, a EDP, distribuidora de energia elétrica no Alto Tietê, registrou 2.810 ocorrências de pipas na rede elétrica que abastece a região, conforme noticiou o DS em janeiro.
A reportagem questionou a Associação Comercial e Empresarial (ACE) de Suzano sobre possíveis campanhas e orientações para que linhas com cerol não sejam comercializadas, mas não obteve resposta.
A competitividade é a principal justificativa para o uso de linhas cortantes pelos amantes da prática. Soltar pipa, tradicionalmente, "mistura ludicidade com espírito competitivo". Essa é a opinião de Michael Alves Souza, 24, campeão de vários campeonatos de pipas pelo Brasil.
Ele diz que a legalização e a inclusão de pipódromos é a melhor forma para evitar acidentes. "Acho certo usar (linhas esportivas), desde que não ofereçam riscos às pessoas. O espírito competitivo está no sangue de todo o 'pipeiro'", disse.
"Podemos seguir o mesmo caminho (do governo do Rio de Janeiro). Precisamos regulamentar a prática", emendou.
Cristiano Aparecido da Silva Passos, 41, parou de vender linhas cortantes após vários acidentes. Ele lamenta que muitas crianças fiquem nas ruas empinando pipas com esse tipo de linha. "Eu vendia, mas com tantos acidentes, parei. As crianças não têm onde soltar pipa e ficam na rua. Por isso que hoje em dia vão para as revoadas", conta.
Gustavo Junior da Silva Araujo, 20, diz que não tem graça soltar pipa sem linhas cortantes. Com a "linha lisa" - termo usado pelos praticantes para linhas sem cortantes - ele diz que é fácil perder a pipa. "Acho melhor soltar com linha cortante, pela brincadeira de cortar as pipas dos amigos. Deixa tudo mais animado e também serve para ninguém me cortar, já que com a linha lisa, fica mais fácil de perder a pipa", explica o jovem.