Do lado de fora, dezenas de brinquedos abandonados. Alguns enferrujados e cercados pela vegetação alta. Dentro, o cenário que retrata o abandono da obra, que é pública: muito lixo, entulho, rachaduras e pombos.
Este é o atual desenho da Praça dos Trabalhadores e do Centro de Convenções, ambos localizados nas avenidas Brasil e Dom Pedro II, região central de Ferraz de Vasconcelos. A obra foi inaugurada incompleta em dezembro de 2012.
O prédio começou a ser construído com recursos federais na gestão do ex-prefeito Jorge Abissamra - que ficou entre 2005 e 2012 como chefe do Executivo da cidade - e foi interditado em dezembro de 2017 pela Defesa Civil de Ferraz por risco de desabamento. No local deveria funcionar um teatro ou espaço para eventos culturais.
Desde então, a situação só piorou. O DS esteve no local e constatou o descaso. Em nota, a Prefeitura de Ferraz informou que está desenvolvendo estudos sobre o assunto e que até o final de fevereiro deve ter uma posição sobre o local.
Cenário
O mato tomou conta do espaço e muitos brinquedos estão cercados até mesmo de galhos de árvores. Um córrego fica dentro do terreno e passa ao lado do Centro de Convenções. Ainda do lado de fora, é possível ver de longe diversas - e grandes - rachaduras no prédio.
Na lateral do imóvel, uma porta parcialmente aberta leva a dois lances de escada. No primeiro andar, muita sujeira, garrafas de vinho vazias e um forro completamente deteriorado. As paredes estão pichadas e pombos observam quem entra e sai do local.
Prejudicados
Quem mora ou trabalha próximo ao local lamenta a situação por conta do desperdício de dinheiro público e pela falta de opções de lazer na cidade. Além disso, o terreno incomoda porque pragas urbanas saem do local e invadem casas e comércios.
"Tem muitos insetos e ratos. Moro aqui há 16 anos e faz uns oito que esse 'elefante branco' está aí. Um horror essa praça, não tem uma área de lazer em Ferraz. A gente fica triste com essa situação", lamenta a comerciante Severina Manoel Gonçalves Nascimento, 55.
A aposentada Schirley Vieira Martins, 83, também aponta insetos como um dos grandes problemas do local. "Tem muitos bichos, pernilongos e ratos. A gente tem que tomar cuidado. Quem mora aqui sofre demais".
"Sabemos por alto que está na justiça. Isso aqui é um absurdo, eu trazia meus netos neste local. Isso ficava cheio de gente.
O prédio está caindo. Isso foi feito às pressas por pessoas que não sabiam fazer", conta um morador, que prefere não se identificar.
A doméstica Elizete Maria dos Santos, 53, lembrou da época em que a praça funcionava e pede para que o Poder Público recupere o local. "Teria que ficar como era antes, tudo organizado e bonito. O povo vinha namorar aqui. Era um bom local para todos. A cidade não tem lazer nenhum a não ser este lugar", diz.