Os quatro suspeitos de sequestrar, torturar e matar o policial Rodrigo de Lucca da Fonseca, em junho de 2014, foram a júri popular, que se iniciou na tarde de ontem, no Fórum de Suzano.
A previsão é que o julgamento termine somente na sexta-feira, 7. Demerson Andrade de Carvalho, Deivis Willian da Silva, Antonio Monteiro da Silva Neto e Israel Xavier Candeas são acusados pelo Ministério Público por homicídio triplamente qualificado (tortura ou outro meio insidioso ou cruel), associação criminosa, roubo qualificado (cometido com grave ameaça e em duas ou mais pessoas), sequestro e extorsão.
Segundo o Tribunal de Justiça de São Paulo, dos quatro réus, Candeas é o único que está preso por outro processo.
Ao todo, 22 pessoas devem ser ouvidas, sendo 16 delas testemunhas em comum e outras seis, de defesa.
Cenário
O DS esteve no plenário do Fórum de Suzano na tarde de ontem.
O local estava lotado. Algumas pessoas pegaram senha para acompanhar o julgamento.
O advogado de defesa de Candeas, Dario Reisinger Ferreira, classificou o júri como "muito tenso".
Ele acredita que o julgamento vai se estender até essa quinta ou sexta.
"Deve durar dois ou três dias. Está tenso, muito tenso. Muito difícil falar o que vai acontecer. É muito sério (o caso), mobilizou a opinião pública e cada réu é uma situação diferente", disse.
A mãe da vítima disse que só vai falar "após tudo isso acabar", se referindo ao júri.
Uma forte chuva começou a cair no entorno do Fórum e, por volta das 15h55, durante uma pausa, o andar do plenário sofreu um apagão.
Caso
O policial militar Rodrigo de Lucca da Fonseca, na época com 28 anos, foi sequestrado, torturado e morto em junho de 2014.
Ele chegava em casa, no Parque Monte Líbano, em Mogi, quando desapareceu.
Segundo informações, o soldado De Lucca ficou desaparecido por três dias e foi encontrado com cinco tiros, sendo um na perna, um no braço, um no rosto, um no peito e um na cabeça.
Ele teria ficado em cativeiro por três dias, até ser encontrado em um terreno às margens da Rodovia Índio Tibiriçá (SP-31), no dia 24 de junho daquele ano.
O policial foi enterrado no dia seguinte. O caso ganhou grande repercussão na imprensa do Alto Tietê. Os suspeitos foram presos ao longo das investigações.
Para a polícia, desvendar o caso era uma “questão de honra”.
“Os criminosos não têm medo da polícia e sabem que têm inúmeros benefícios dados pela Justiça. Este caso é ponto de honra para prender os criminosos, tanto para a polícia quanto para a sociedade”, informou o então delegado Seccional de Mogi das Cruzes na época, em coletiva, publicada pelo R7, Marcos Batalha.