Essas últimas semanas foram de atenção. Um amigo muito querido, não só para mim, como a tantos outros, nesta nosso Cidade, andou meio adoentado, sendo internado para tratamento. Há poucos meses ele tinha completado os seus noventa aninhos. Isso trouxe umas tantas preocupações, claro, ainda que soubéssemos que ele era atencioso com a sua saúde. Foi para UTI. Ficamos mais preocupados. Até que recebemos a notícia de seu falecimento, passado pela família.
Estou me referindo ao muito querido Masataka Hanashiro. Um amigo desde lá em 1977, quando voltei ao Brasil, depois de uns anos na Europa. Ele era de família do Interior do nosso Estado, de Lins. Mas depois, sua família migrou para o Litoral Paulista, para o Vale do Ribeira. Lá tornou-se amigo do meu sogro, o senhor Martin Hermann Domschke, e cresceram. Suas famílias, uma alemã, a do meu sogro, e a dele, japonesa, passaram por umas tantas dificuldades desde antes e durante a Segunda Grande Guerra, com o plantio de bananas. E nas nossas conversas descobrimos que estudamos em Santos, no mesmo Colégio Canadá, claro, em tempos diversos. A partir da década de 1950 ambos trabalharam na Empresa Fongra, em Suzano.
O Hanashiro veio estudar aqui na Região, cursou Química, área em que se formou, mas acrescentou também as habilitações nas áreas de Física e de Matemática, em que acabou também lecionando. Talvez até por isso seu raciocínio fosse tão lógico. Não muito diverso do meu jeito pessoal.
Lá pelos anos de 1970 o Hanashiro tinha uma gráfica de notas-fiscais, na rua Benjamin Constant, aqui em Suzano, coisa obrigatória então. Passei a gostar de trocar ideias com ele. Era coisa boa, não importava o assunto. Eu e alguns outros amigos próximos o chamávamos de “Chico”, lá naqueles tempos idos.
Depois, eu ingressei no Magistério, já no final da década de 1970, com a minha mulher, a Cristiane, e nos aproximamos ainda mais. A filha dele, a doce Denise, tornou-se Professora, agora aposentada, e com seu filho, o neto Lucas, também como a sua mãe, a querida Sadako, que lecionou também por muitos anos na Escola Raul Brasil. Eles tinham um outro filho, o sempre gentil Dr. Milton, Médico no antigo Hospital das Clínicas, ainda hoje. Uma família encantadora.
Masataka Hanashiro foi também um Mestre Maçom importante, tendo recebido neste ano a Medalha D. Pedro, a maior honraria da Ordem no Brasil, tendo atingido vários cargos de destaque e de alto nível de sabedoria.
O “Hana”, como muitos o chamavam, não parou de estudar e oferecer estudos que pudessem levar ao caminho da construção de um mundo melhor para todas as pessoas. Esse, sempre foi o seu desejo maior. Não desistiu de seus anseios maiores para o benefício de todos.
Sempre lutou pelo equilíbrio entre os seres humanos, com a paz se estabelecendo entre todos. Sua persistência partia da busca pelo Conhecimento. Se todos buscarem saber mais, teremos mais paz e mais equilíbrio, e assim, teremos menos lutas, menos guerras. E o entendimento será maior.
O Grande Arquiteto Do Universo, que é Deus, levou-o. Ficam as suas doces marcas, suas palavras, dentro de nós, Grande Mestre.
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