Na minha idade não há como não lembrar de coisas vividas. Prefiro lembrar das coisas encantadores, claro. E lembro na minha juventude do encontro com o Samba Canção, ainda lá em Icaraí, Niterói, ingressando no antigo Ginásio, hoje Fundamental II, no final dos anos de 1950. E aí me apareceu Dick Farney, um cantor brasileiro que tinha passado anos nos Estados Unidos, trazia uma canção bem influenciada pela americana.
Comecei a aprender inglês e me surge então o seu tanto de Jazz. E, com certeza, como negar, o Rock and Roll, especialmente Elvis Presley, mas tinha mais gente. Aparece então o João Gilberto, e a Bossa Nova. A minha família veio para São Paulo e aqui vou dando de cara com ainda mais coisa. Um amigo do meu pai, que me ensinava inglês foi me passando mais e mais de Jazz, a música, não me refiro a essa dança moderna. Entrando na adolescência, aquilo tudo envolvia mesmo. E me encantava.
Eram melodias diferentes, tinha seu tanto de improvisos. Coisas que iam entrando em mim. E ia percebendo que a Bossa Nova também tinha seu tanto de Jazz. Tudo muito criativo.
Seria bom se mais gente desse uma lida para saber algo melhor sobre a nossa música. Descobre-se que também nos ligamos muito a música americana, especialmente depois da Segunda Grande Guerra. Nos anos de 1950 muito nos influenciou. Coisa de qualidade, não exatamente no tipo do Funk, que se alargou das nossas favelas umas décadas depois. Temos bons livros sobre isso, procurem coisa de autores como Roberto Muggiati, que escreveu estudos importantes, em especial sobre Jazz. Procure ler também uns livros do Nelson Motta. E mesmo do Caetano Veloso, que igualmente é um precioso comentarista.
Morávamos no bairro de Pinheiros, em São Paulo no final dos anos de 1960. E lembro que adorava ira ao Clube de Jazz, nos Jardins, ia com amigos numa boa caminhada alegre, e ouvíamos apresentações únicas, como do Zimbo Trio. Coisas magistrais. O Trio se apresentava ali com outros grupos, sem custos, era fantástico para a nossa juventude.
Aí apareceu a MPB, Música Popular Brasileira. Já na Faculdade gostava de encontrar com o Chico Buarque e o MPB–4, com conversas se alongando. Era bom tomar uma cervejinha num barzinho em frente a Faculdade de Filosofa. Nessa época também fomos conhecendo pessoalmente outros destaques, como Caetano Veloso e Gilberto Gil. Ainda percebíamos algo do Jazz na MPB de então. Depois foi se afastando, com certeza.
Com a Bossa Nova os brasileiros, e assim o nosso Brasil e sua Arte e Cultura, se alargaram no espaço, não apenas por sua proximidade com o Jazz, mas, certamente também por isso. Precisaríamos retomar. Tivemos gravações em português de gente grande como Ella Fitzgerald e Jane Monheit.
Intercâmbio e proximidade cultural liga mais as pessoas. E os governantes pretensos dominantes diminuem seus tantos ataques pelo mundo. Sem cobrarem submissão. Temos de reaprender, com a Arte. Por que não, com a Música, e nos vermos como amigos, como irmãos?


