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Jornal Diário de Suzano - 28/03/2026
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Coluna

Sempre Agradecendo à Vida

28 março 2026 - 05h00

Quero retomar com vocês algumas reflexões e emoções.
Agradeço ao Senhor em cada manhã em que desperto e posso me aperceber. Sei, é claro, que poderia nem estar mais por aqui, ser apenas, talvez, uma lembrança para alguns, não muito mais que isso. Valorizo o que tenho e o que recebo. Sei que tenho muito a fazer e quero muito fazê-lo bem. Talvez possa parecer pretensioso. Não é o que tento. Ao contrário. Sei que quanto mais simples, mais longe podemos chegar.
Verdade, fui guardando tanto pelo caminho que percorri até aqui, que pode parecer longo para alguns. Chegando aos oitenta anos tenho quilometragem. E que pode mesmo dar a alguns a sensação de bastante. Nunca pensei em reter muita coisa. No entanto, aprendi muito ao longo de todo esse tempo em que fui vivendo a minha vida. E guardo tanto disso tudo em mim mesmo.
Muitos acontecimentos me deixaram lembranças, sinais, marcas, cicatrizes, até. É assim o caminho. Muita gente com quem vivi deixou-me sinais, e tantos deles são mesmo de alegria. Sei que felicidade é um momento, não mais que um instante. Mas sei o quanto é bom.
Por vezes sinto um tanto de vontade de fazer muitas coisas ainda, sei disso. Portanto, não posso parar. Creio que não conseguiria parar. Seria difícil. E tantas dessas coisas a fazer sei que posso fazê-las, ou posso indicar como realizá-las. E talvez, feitas, possam chegar a serem interessantes para uns outros. E coisas dessas poderão ser Ciência ou ser Arte. E ambas eu amo como prática. Ambas podem nos indicar caminhos. O que vale para mim pode valer para você, valer para outro.
Tantas são as direções a poderem ser tomadas. Ninguém pode nos garantir chegar. Mas temos de seguir. Assim é o caminho. Assim é a Vida.
Venho repetir-lhes os versos da chilena Violeta Parra, “Gracias a la Vida”. Traduzindo, claro:
“Obrigado à Vida”
Obrigado à vida que me deu tanto/ Me deu dois olhos que quando os abro/ Separo perfeitamente o preto do branco/ E no alto o céu de fundo estrelado/ E nas multidões aquela que eu amo/ Obrigado à vida que me deu tanto/ Me deu o som do abecedário/ E com ele as palavras que eu penso e clamo/ Mãe amigo irmão/ E luz iluminando, a rota da alma de quem estou amando/ Obrigado à vida que me deu tanto/ Me deu marcha a meus pés cansados/ Com eles andei cidades e brejos/ Praias e desertos, montanhas e planícies/ E a sua casa, sua rua e seu pátio/ Obrigado à vida que me deu tanto/ Me deu o coração, que agita o seu tanto/ Quando olho o fruto do cérebro humano/ Quando olho o bem tão longe do mal/ Quando olho o fundo de seus olh os claros/ Obrigado à vida que me deu tanto/ Me deu o riso e me deu o pranto/ Assim separo fortuna de quebranto/ Os dois materiais que formam meu canto/ E o canto de vocês que é o mesmo canto/ E o canto de todos que é meu próprio canto/ Obrigado à vida, obrigado à vida/ Obrigado à vida, obrigado à vida/
Ouçam a Mercedes Sosa cantando “Gracias a la Vida”.