A prática da justiça é um princípio que deve ser almejado por todos nós. As injustiças deveriam nos incomodar e nos mover para uma reparação. A busca da justiça serve de base para a criação de leis e a organização da vida social. Lembremos, todavia, que as leis são feitas por homens. Lembremos também que aqueles que julgam podem falhar em seu julgamento. Os tribunais funcionam com base em provas, autos processuais, que são produzidos por homens. De forma geral, o sistema legal é feito pelas elites, a fim de proteger a própria elite. E os outros que lutem! As leis precisam ser aperfeiçoadas ou modificadas com o tempo. A justiça do homem, portanto, é falha, porque é baseada em intenções, perspectivas e conceitos limitados. Na justiça divina, o Juiz, que é Deus, tem diante de Si todas as provas, claras, fidedignas, inquestionáveis, irrefutáveis, a partir das quais Ele determina os seus juízos. Somente Ele tem a perfeita condição de nos saciar com a Sua justiça.
O que fazemos diante de uma injustiça? Neemias é um exemplo, quando se trata de reconhecer o próprio erro e fazer o necessário para consertá-lo. No capítulo 5 do livro de Neemias, no Velho Testamento, vemos a reconstrução dos muros de Jerusalém caminhando a todo vapor, com todos bem envolvidos na obra. Todavia, um grupo reclamou que estava havendo injustiça - os mais abastados estavam explorando os menos favorecidos. Ao tomar conhecimento do fato, Neemias não se omitiu. "Quando eu, Neemias, ouvi essas queixas, fiquei zangado e resolvi fazer alguma coisa. Repreendi as autoridades do povo e os oficiais e disse: - Vocês estão explorando os seus irmãos! O que vocês estão fazendo é errado!" (Neemias 5:6-9) Diante da injustiça, Neemias não se calou. Agiu imediatamente, exigindo a reparação do erro. Como governador, mesmo de uma terra devastada, Neemias pertencia à elite. Ele mesmo se incluiu no grupo dos opressores e se propôs a mudar de prática. A visão que ele tinha da grande obra que deveria ser feita não o impediu de reconhecer publicamente o seu próprio erro, o que é raro nos dias atuais. Ao receber alguma acusação, a maioria opta por negar a culpa, apresentando justificativas para o comportamento indevido. Neemias era um homem sincero. A partir do reconhecimento de sua falha grave, ele manifesta em suas orações a confiança na bondade e fidelidade do Senhor. "Não, não somos tão bons quanto imaginamos! Também temos pés de barro."
O posicionamento de Neemias diante de uma injustiça nos traz alguns ensinamentos. O primeiro deles é que não devemos nos conformar com a injustiça. Lutemos por justiça, façamos a nossa parte como cristãos e cidadãos. O segundo ensinamento é que os líderes não conseguem ver tudo o que acontece no entorno deles. Não conseguem enxergar todas as dificuldades e deficiências. Então, bem fazem quando são humildes o suficiente para ouvir, avaliar, acatar bons conselhos, sugestões e reivindicações. Nesse caso, Neemias não apenas ouviu a reclamação dos mais pobres, que estavam sendo explorados pelos próprios patrícios, como também reconheceu o seu erro e fez com que os opressores enxergassem a realidade do que estava acontecendo. Em seguida, indicou o caminho para a correção da injustiça. "As autoridades responderam: - Está bem. Nós vamos fazer o que você está dizendo. Vamos devolver as propriedades e não vamos cobrar as dívidas". (Neemias 5:9-13) Eles juraram que cumpririam o que haviam dito. Louvaram a Deus, o Senhor. E cumpriram, de fato, a promessa que haviam feito. Aprendemos também com Neemias que as mudanças passam por um processo de convencimento e envolvimento na resolução do problema. Finalmente, aprendemos que devemos amar a justiça da mesma forma que Deus a ama. Amar a justiça é promover e praticar a justiça. Se Neemias tivesse se calado diante da injustiça, provavelmente, o seu plano de reconstruir os muros de Jerusalém não teria êxito! No Sermão do Monte, Jesus ensinou que aqueles que têm fome e sede de justiça serão fartos. (Mateus 5:6)



