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Jornal Diário de Suzano - 21/02/2024
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Editorial

Crianças na pobreza

15 fevereiro 2023 - 05h00Por editoracao

Reportagem da Agência Brasil mostrou ontem que pelo menos 32 milhões de meninos e meninas no Brasil vivem na pobreza. 
Só para se ter uma ideia, o número representa 63% do total de crianças e adolescentes no País e abarca a pobreza em diversas dimensões: renda, alimentação, educação, trabalho infantil, moradia, água, saneamento e informação. É o que indica a pesquisa As Múltiplas Dimensões da Pobreza na Infância e na Adolescência no Brasil, divulgada ontem (14) pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).
A reportagem mostrou também que o levantamento apresenta dados até 2019 (trabalho infantil, moradia, água, saneamento e informação), até 2021 (renda e alimentação) e até 2022 (educação).
A pesquisa destaca que a pobreza na infância e na adolescência vai além da renda e inclui aspectos como, por exemplo, estar fora da escola, viver em moradias precárias, não ter acesso à água e saneamento, não ter uma alimentação adequada, trabalho infantil e não ter acesso à informação, fatores considerados privações e que fazem com que tantos meninos e meninas estejam inseridos nesse contexto de pobreza multidimensional.
Especialistas explicam que a vida infantil, mesmo que não se apresente, é repleta por enfrentamentos e formações. Desde a gestação, caso não ocorra uma alimentação adequada as consequências irão diretamente para o feto e isso pode gerar um bebê desnutrido com o risco de não conseguir sobreviver. A diferença é muito grande entre uma criança necessitada e outra que possui uma vida mais regrada, pois não consegue ter um bom desenvolvimento físico e cognitivo.
Destas crianças muitos têm de trabalhar, alguns ficam em sinais de trânsito, outros buscam meios para conseguir um dinheiro para ajudar em casa, simplesmente para sobreviver, num outro patamar estão os que esbanjam desde coisas inúteis, bens materiais e até muitas crianças obesas que sofrem pelo excesso de alimentação, enquanto outras sofrem por não ter nada.
O relatório utiliza dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad Contínua) e os resultados, conforme a própria entidade, revelam um cenário preocupante. O último ano, para o qual há informações disponíveis para todos os oito indicadores, é 2019 – quando havia 32 milhões de meninas e meninos de até 17 anos de idade privados de um ou mais desses direitos. Para os anos seguintes, só há dados de renda, alimentação e educação – e os três pioraram.
Em 2021, o percentual de crianças e adolescentes que viviam em famílias com renda abaixo da linha de pobreza monetária extrema (menos de US$ 1,9 por dia) alcançou o maior nível dos últimos 5 anos: 16,1%, contra 13,8% em 2017. O contingente de menores privados da renda necessária para uma alimentação adequada passou de 9,8 milhões em 2020 para 13,7 milhões em 2021 – um salto de quase 40%. Já na educação, após anos em queda, a taxa de analfabetismo dobrou de 2020 para 2022 – passando de 1,9% para 3,8%.