Nagmar Pinheiro Pereira, cabo da Polícia Militar, será julgada em júri popular nesta quinta-feira (27) no Fórum Criminal da Barra Funda, na Zona Oeste de São Paulo. Ela é apontada como autora do assassinato do próprio esposo, o também cabo da Polícia Militar Neilo Rego Lione, irmão da vereadora de Suzano Gerice Lione (PL).
O júri deveria ter acontecido no dia 27 de abril deste ano, chegou a ser iniciado, mas precisou ser interrompido quando um dos jurados teve um problema de saúde. Por conta disso, o júri foi dissolvido e reagendado para esta quinta-feira.
O crime aconteceu em janeiro de 2020. O policial foi alvejado e teve o corpo parcialmente carbonizado. Ele foi encontrado dentro de um carro na Estrada Morro do Sabão, no bairro Cabuçu, em Guarulhos. De acordo com o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), o júri está confirmado para esta quinta, mas o processo corre em segredo de justiça.
Em entrevista ao DS, a vereadora Gerice Lione confirmou que o julgamento está marcado para iniciar às 10 horas. A investigação apontou que Nagmar teria recebido ajuda de outra policial. A Corregedoria da Polícia Militar e o Setor de Homicídios e Proteção à Pessoa (SHPP) de Guarulhos pediram a prisão preventiva de ambas no dia 21 de janeiro de 2020, três dias após o corpo ser encontrado. A família do policial e a Corregedoria acreditam que o crime foi passional.
“Por ser irmã, por vir da área da Polícia, eu espero sempre o melhor da Justiça, mas a gente não sabe como vai estar a cabeça do juiz no momento. Esperamos a pena máxima. Independente de como estava a vida deles, o assassinato não era a solução para a vida dela. Desestruturou minha família e a dela. Esperamos o melhor da Justiça, que enxerguem o mal que ela fez”, declarou Gerice.
De acordo com a Secretaria de Segurança Pública do Estado (SSP), o caso foi investigado por meio de inquérito instaurado pelo SHPP de Guarulhos e relatado à Justiça em março, com a prisão preventiva da esposa da vítima. O inquérito, instaurado pela Corregedoria da PM, também foi concluído e encaminhado à Justiça Militar, cujo teor é de caráter sigiloso. Conforme a SSP informou em abril, a segunda policial envolvida passou a desempenhar funções administrativas no 5º BPM/M.
O caso
O corpo do cabo Neilo Rego Lione, do 5° Batalhão da Polícia Militar Metropolitano (BPM/M) de São Paulo, foi encontrado com perfurações de bala, enrolado em um cobertor e parcialmente carbonizado na manhã do dia 18 de janeiro de 2020 em Guarulhos.
A vítima foi reconhecida por um motorista do Batalhão. O corpo estava no banco traseiro de um Honda Fit.
O policial era o terceiro de sete irmãos da família. Dias após o crime, Gerice Lione concedeu entrevista coletiva à imprensa e disse que a família foi orientada a não se pronunciar sobre o caso, para não prejudicar as investigações. Mas diante do anúncio de que duas policiais, incluindo a esposa de Lione, eram investigadas pelo SHPP de Guarulhos, a então presidente da Câmara de Suzano afirmou que o irmão “queria se separar”, mas que a esposa “não queria”.
O DS não conseguiu contato com a defesa de Nagmar Pinheiro Pereira, mas a reportagem será atualizada caso haja um posicionamento dela.