O Alto Tietê possui o quinto pior índice de chuva anual do Estado. A informação é apontada pelo Plano Estadual de Recursos Hídricos, elaborado pela Secretaria Estadual de Saneamento e Recursos Hídricos junto ao Conselho Estadual de Recursos Hídricos. Por ano, em média, a região recebe 270 metros cúbicos por segundo (m³/s) de chuva. Ambientalista destaca o desmatamento como um dos principais fatores para a queda do registro.
O Estado de São Paulo é dividido em 22 Unidades Hidrográficas de Gerenciamento de Recursos Hídricos (UGRHI), definidos pelos critérios hidrológicos, ambientais, socioeconômicos, políticos e institucionais. A UGRHI do Alto Tietê registra 270 m³/s em precipitação anual e ocupa a quinta pior posição. Para o ambientalista José Arraes, membro do Comitê da Bacia do Alto Tietê, o desmatamento é um dos principais fatores que contribui com esta piora.
"Desde as décadas de 1960 e 1970 alertamos que os desmatamentos, principalmente da Mata Atlântica, teria como conseqüência futura um prejuízo no índice de precipitações na região. Depois deste período, foram construídas as represas de reservatório de água para o abastecimento humano, também em áreas de proteção hídrica", disse.
Além disso, Arraes pontua o rápido crescimento populacional e a permissividade de governantes municipais. "Desde a construção da (barragem de) Ponte Nova, ocuparam a Várzea do rio Tietê e de todos os mananciais afluentes existentes. Muitos deles praticamente desapareceram, como o Guaió na região de Ribeirão Pires, Suzano, Poá e Itaquaquecetuba".
O ambientalista também alerta que os índices podem ser ainda mais preocupantes no futuro, uma vez que são frequentes os aterramentos das nascentes, riachos, córregos e tamponamento dos rios. "O avanço imobiliário tem o compromisso governamental como sinônimo de progresso e crescimento. Quando o normal seria utilizar do termo 'desenvolvimento', que engloba uma atitude compartilhada com a vida", finaliza. O Comitê da Bacia do Alto Tietê deverá estudar o Plano aprovado, a fim de redirecionar posicionamentos às regiões.