A fila de espera de pacientes por transplante de órgãos tem 565 pessoas no Alto Tietê. O órgão mais esperado é o rim. São 347 pacientes na fila. Mogi é a cidade líder em número de pacientes. São 156. Itaquaquecetuba tem 135 e Ferraz de Vasconcelos, 60. Em Suzano, 109 pacientes aguardam doação, sendo nove de córnea.
De acordo com a coordenadora da Central de Transplantes do Estado, Marizete Medeiros, o órgão mais difícil é o pulmão. "A dificuldade é por conta da alta incidência de infecção pulmonar nos doadores", revela.
Ela também conta que os adultos são os mais transplantados. Eles estão em maior número no cadastro técnico (lista de espera). O índice de frequência dos transplantes, é em média de 6,5 por dia. Existem cerca de 264 hospitais credenciados no Estado de São Paulo para receber os transplantes.
A Central de Transplantes estadual considera que a taxa de mortalidade na espera é alta. "O ideal seria não termos mortalidade", conta Marizete.
A taxa de mortalidade dos que aguardam por um transplante de fígado é de 35%. Para os que esperam por um transplante de coração, a taxa é de 19%. Para o transplante de pulmão é de 17 %.
Para os outros órgãos, como rim e pâncreas, o número é baixo por conta das terapias substitutivas como hemodiálise e o uso de insulina.
O processo de doação de órgãos funciona da seguinte maneira: primeiro é feita a identificação do paciente neurologicamente grave, depois a realização do diagnóstico de morte encefálica. Este diagnóstico é feito por três médicos.
Dois são responsáveis pelos exames clínicos; o outro é responsável pelos exames complementares.
Após a comprovação de morte, uma equipe de especialistas conversa com os familiares para solicitar a doação de órgãos e tecidos. Com a autorização da família, começam os exames para verificar a vitalidade de utilização de cada órgão. "Em posse dos exames e dos documentos de processo, a Central de Transplantes inicia a distribuição dos órgãos viáveis as equipes transplantadoras do Estado de São Paulo, seguindo o ranking elaborado pelo sistema informatizado", afirma Marizete.
Para se tornar um doador de órgãos, é preciso avisar a família sobre a vontade de se tornar um doador, já que são eles que autorizam o processo. "A 'cultura da doação' é algo que precisa de um cuidado constante. Falar sobre esse tema em todos os espaços é muito importante. É preciso desmistificar velhos mitos e levar maior informação a respeito desta Política Pública. Somente assim, acreditamos que vamos aumentar o número de transplantes e reduzir as taxas de mortalidade em lista de espera".