Dados confirmados pelo Setor de Homicídios e Proteção à Pessoa (SHPP) de Mogi das Cruzes apontam que 135 casos de desaparecimentos foram registrados, por meio do Procedimento de Investigação de Desaparecimento (PID), de janeiro a outubro de 2017, no Alto Tietê. Das 135 ocorrências, 61 PID's ainda estão em aberto.
Em Suzano, 52 casos foram registrados nas delegacias e 6 PID's seguem em investigações.
Comparados aos números do ano anterior, as ocorrências são menores. Durante o mesmo período de 2016, o SHPP registrou 329 PID's, dos quais 19 casos ainda seguem sem desfecho. No município suzanense, 79 ocorrências foram registradas naquele ano e 2 PID's ainda são investigados.
A polícia aponta a importância de se registrar o boletim de encontro, caso a família recupere o desaparecido. O procedimento é importante para o encerramento das investigações. As estatísticas dos desaparecimentos são relativas, porque nem todo sumido é considerado desaparecido. Alguns desaparecem por horas e depois retornam ou são localizados.
Outro fator relevante é o tempo de registro da ocorrência. O processo pode ser feito antes de 24 horas do desaparecimento. Ou seja, se há a suspeita de que um ente familiar esteja desaparecido, não é necessário aguardar um dia para efetuar o Boletim de Ocorrências (B.O).
Perfil dos Desaparecidos
Os desaparecidos têm três tipos de perfis. Os que possuem B.O constantes, o que significa que somem e retornam algum tempo depois. São adolescentes, em maioria, principalmente do sexo feminino.
Dos mais velhos, na faixa dos 25 anos, os homens são a maioria e geralmente usuários de drogas.
Livro
"É um livro sobre Esperança", diz a investigadora policial e atual escrivã documental do Núcleo Especial Criminal (Necrim) de Mogi das Cruzes, Terezinha Bueno Alves. Ela e o marido, que também é delegado titular do Distrito Policial (DP) de Poá, Renato de Almeida Barros, escrevem um livro sobre casos de desaparecimentos no Alto Tietê. A obra ainda não possui nome, será focado em histórias reais de pessoas desaparecidas e servirá como fonte de esclarecimento do assunto e sobre a forma de investigação dos casos. "Faço a parte dos fatos reais (investigação) e meu marido está transformando os dados em histórias e contatando familiares e pessoas conhecidas dos desaparecidos que estarão no livro", revela.
Terezinha explicou em entrevista ao DS, que a ideia do livro surgiu com a necessidade de informar as pessoas sobre a importância do tema e esclarecer dúvidas a respeito dos procedimentos da polícia, em casos de desaparecimentos. "Fiz diversas pesquisas a respeito de livros sobre desaparecidos e percebi que não existia algo esclarecedor sobre o tema. Além de apresentar os casos, o livro servirá de manual de orientação para mostrar ao que a pessoa tem direito na busca de um ente desaparecido, o que ela pode questionar à delegacia e quais são os procedimentos", explica.
O livro também abordará as dificuldades na área de investigação policial e a importância das informações corretas para os esclarecimentos dos casos. Serão apresentados dados atuais sobre os eventos. Terezinha ainda destacou a importância do fator humano na hora da investigação. Para ela, os dados são incompletos em alguns casos, sem a necessária compreensão.
O livro parte das experiências que Terezinha viveu trabalhando por dois anos no Setor de Homicídios e Proteção a Pessoa (SHPP) de Mogi. Ela possui 20 anos de trabalho na polícia e conviveu com muitos dos casos relatados. De acordo com Terezinha, o livro terá um grande impacto pois, em geral, a população não dá importância a este assunto.
"As pessoas nunca dão importância aos desaparecidos. Com o livro, eu quero informar aos leitores o valor que essas pessoas têm na sociedade. Por meio das histórias, o público vai saber o outro lado do nosso trabalho como investigador", conta. O livro tem previsão de lançamento para o primeiro trimestre de 2018. Os autores ainda estão contatando editoras.