Os sindicatos que representam trabalhadores de diferentes categorias do Alto Tietê iniciaram discussão sobre a possibilidade de as empresas contratarem apenas pessoas vacinadas contra a Covid a partir de 2022. A reivindicação surgiu nesta terça-feira (29), através da pauta entregue pela Federação Estadual dos Sindicatos de Metalúrgicos (FEM) e da Central Única dos Trabalhadores (CUT) aos sindicatos patronais. A proposta é considerada positiva por algumas entidades, mas polêmica por outras.
De acordo com Daniel Calazans, secretário geral da CUT-SP, a pauta entregue é uma reivindicação de que, se haver acordo entre os patrões, será uma grande conquista para os trabalhadores e empregadores no combate ao negacionismo à vacina.
“Trata-se de uma medida que tende a pressionar os governos em acelerar a vacinação para toda a população, principalmente trabalhadores que seguem na batalha pelo seu ganha pão, para manter seus empregos no dia a dia e ainda garantir o aquecimento da economia. O que por uma parcela da classe trabalhadora ainda é feito com grande risco à saúde e às vidas”, avalia o representante da CUT-SP.
Entre os sindicatos, a pauta divide opiniões. Na avaliação de Cláudio José de Carvalho, presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Químicas de Suzano, a reivindicação é plausível e deverá ser adotada entre as reivindicações da entidade, que está prevista para ocorrer em setembro.
“Dependendo da empresa que você entrar, você só é contratado se mostrar a carteirinha de vacinação com todas as vacinas em dia. Com a vacina da Covid-19 deveria ocorrer o mesmo, já que a situação é ainda mais grave”, avalia.
Segundo o representante, o funcionário contratado que tenha se recusado a tomar a vacina pode representar um risco à saúde dos demais funcionários que receberam o imunizante.
“Não seria justo eu e minha família ser penalizados por uma pessoa que optou por não ser vacinada. Sabemos que a vacina evita casos graves da doença, mas não impede de você ser contaminado”, destaca.
No mesmo ponto de vista, o presidente do Sindicato dos Bancários e Financiários de Mogi das Cruzes e Região, Clayton Teixeira Pereira, a medida é positiva e também deverá ser adicionada entre as reivindicações do sindicato.
“Na verdade, acredito que a vacina poderia ser obrigatória para todos. Como não é, essa reivindicação é positiva, já que defende ainda mais a importância da vacina para o combate ao vírus”, disse.
Na contramão dos que avaliam a medida como positiva, o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Mogi das Cruzes e Região, Valterli Martinez, acredita que o assunto é delicado e requer cautela, já que envolve até mesmo questões jurídicas.
Em sua avaliação, a empresa que decidir contratar apenas pessoas vacinadas contra a Covid-19 poderá sofrer penalidades por danos morais, já que se trata de uma “discriminação”.
“É preciso um tanto de cautela em relação a isso. Primeiro porque pode configurar discriminação. Segundo que, a vacina não é obrigatória, apesar de ser muito importante. A empresa que adotar esse procedimento poderá sofrer processos, o que acarretará prejuízos seríssimos”, disse o presidente do Sincomércio.
O DS também tentou contato com a Força Sindical, mas até o fechamento desta reportagem não obteve retorno.