O bispo de Mogi das Cruzes, dom Pedro Luiz Stringhini, se reuniu na tarde de ontem com o deputado estadual André do Prado (PL), para divulgarem uma carta aberta em repúdio às declarações proferidas na última semana pelo deputado estadual Frederico D’Avila (PSL) contra o arcebispo de Aparecida, dom Orlando Brandes, a CNBB e o papa Francisco.
O parlamentar do Alto Tietê considerou o episódio lamentável e descabido. “Essa é uma opinião isolada, que nem de perto reflete a posição de meus colegas nesta Casa. Fiz questão de receber dom Pedro, nosso bispo, para entregarmos esse manifesto, que rejeita fortemente as abomináveis agressões proferidas na tribuna de nosso plenário”, declarou o deputado André.
“Nosso pedido é que esse fato grave, de ofensa descabida, seja devidamente apurado e considerado. A CNBB sempre foi defensora e comprometida com o Estado Democrático de Direito e espera dessa casa legislativa, medidas eficazes para que esse desrespeito seja reparado”, afirmou dom Pedro.
Em sua carta aberta, a CNBB afirmou se ancorar “profeticamente, sem medo de perseguições, no seguinte princípio: a Igreja reivindica sempre a liberdade a que tem direito, para pronunciar o seu juízo moral acerca das realidades sociais, sempre que os direitos fundamentais da pessoa, o bem comum ou a salvação humana o exigirem”.
Caso
O deputado estadual Frederico D’Avila (PSL-SP) fez uma série de ataques ao arcebispo de Aparecida, Dom Orlando Brandes, à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e ao papa Francisco. O parlamentar chamou os religiosos de “safados”, “vagabundos” e “pedófilos” (veja vídeo). As ofensas foram dadas em seu discurso na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) na última quinta-feira (14).
No feriado de terça-feira (12/10), Dom Orlando Brandes, criticou a disseminação de notícias falsas e o armamento da população brasileira. A declaração foi dada durante o sermão da missa do Dia de Nossa Senhora Aparecida. Apesar de não mencionar o nome do presidente Jair Bolsonaro, o religioso utilizou o slogan do governo federal para afirmar que "para ser pátria amada não pode ser pátria armada".
O DS procurou contato com o deputado, mas não recebeu uma resposta até o final desta edição.