Com a diminuição dos casos de Covid-19, o déficit de profissionais da saúde no Alto Tietê pode ultrapassar 2 mil no cenário pós pandemia. A estimativa é do Sindicato dos Trabalhadores da Saúde de Mogi e Região (SindSaúde), que soma a falta de profissionais ainda antes da pandemia.
De acordo com a diretora regional do SindSaúde, Katia Aparecida dos Santos, o número poderia ser ainda maior, já que não leva em conta os profissionais da área que chegaram a ser contratados de forma temporária e em regime urgência ao longo da pandemia, mas com o final dos contratos, começam a deixar os hospitais.
Atualmente, o sindicato contabiliza que a região tem aproximadamente 4 mil trabalhadores na região, sem contar os contratos temporários e levando em conta os que estão se aproximando da aposentadoria. O déficit é de pelo menos 2 mil.
“A situação muda quase que diariamente, porque alguns se aposentam, por exemplo. Agora estamos refazendo essa contabilidade para ver como estamos neste momento. Hoje temos por volta de 4 mil trabalhadores na região, precisaríamos de mais de 2 mil para minimamente adequar a situação”, explica.
Segundo a representante, o problema é agravado devido à falta de concursos públicos, o que prejudica diretamente no ritmo de atendimentos.
“Não tem concurso público e isso causa uma deficiência em relação ao atendimento à população. Mas nem por isso a população está deixando de ser assistida, mesmo a gente não sendo valorizado”, relata.
Sindicato relata ainda falta de valorização
Além de reivindicar a contratação de mais profissionais, a representante do sindicato relata a falta de valorização no setor. Segundo ela, o problema ficou ainda maior após a aprovação do Projeto de Lei (PL) 26/2021 em outubro, que, entre outras medidas, prevê alterações diretas aos profissionais de saúde que atuaram na linha de frente do combate à pandemia do novo coronavírus.
Segundo Kátia, entre outras coisas, o PLC 26 retira a correção automática do adicional de insalubridade dos profissionais da saúde. O adicional corresponde, em muitos casos, até a metade do salário dos trabalhadores e trabalhadoras.
“Nós trabalhamos em local insalubre. Trabalhamos todos os dias arriscando nossas vidas. Com a reforma, não vamos mais receber esses valores. Entende-se que não temos valor com o corte desses direitos mínimos”, conta.
Pandemia
Acompanhando de perto o cenário da pandemia, com o avanço da vacinação e a queda no número de leitos ocupados com pacientes diagnosticados com o vírus, a representante do Sindsaúde ainda não tem em seu vocabulário a palavra tranquilidade. “A curva diminuiu bastante, mas ainda não é uma volta total à normalidade, até porque ainda temos um número pequeno de profissionais para dar os atendimentos. É preciso que todos os cuidados continuem sendo tomados por todos”, completa.