Os prefeitos e deputados estaduais e federais do Alto Tietê criticaram e pedem medidas contra o parlamentar Arthur do Val, conhecido como Mamãe Falei, após áudios do político comentando sobre as mulheres ucranianas refugiadas vazarem nas redes sociais.
Nos áudios vazados o parlamentar diz que “as mulheres ucranianas são fáceis porque são pobres”. Ele ainda diz “que estava mal por ver tantas ‘minas’ gatas”.
O político é deputado estadual e atualmente é filiado ao Podemos. Na região, o prefeito de Mogi das Cruzes, Caio Cunha, é da mesma sigla. Ele foi uma das primeiras autoridades a repudiar e pedir medidas contra o deputado.
“Deixo aqui o meu total repúdio às falas do deputado estadual Mamãe Falei, do MBL. Se utilizar de uma guerra para promover turismo sexual, abuso e machismo é completamente desprezível. Já solicitamos ao partido que isso não passe impune”, disse o prefeito pelas redes sociais no último sábado.
Nesta segunda o prefeito comunicou que ele e outros políticos do Podemos pedem a desfiliação de Arthur do partido (leia na matéria abaixo).
O prefeito de Suzano, Rodrigo Ashiuchi, também criticou, em extensa publicação, as falas do deputado.
“As falas machistas do deputado estadual Arthur do Val são graves e inaceitáveis! Tenho acompanhado toda essa repercussão e registro aqui todo o meu repúdio e minha indignação”.
Ashiuchi completou pedindo uma punição ao deputado estadual. “O político em questão deve ser punido por tamanho desrespeito com as mulheres ucranianas. Seu ato fere ainda o Estado de São Paulo e o Brasil!”.
O prefeito de Itaquá Eduardo Boigues definiu como “constrangedora” as falas de Arthur do Val, em especial na resposta dada pelo deputado.
“A paz que tanto almejamos pelo mundo começa pelo bom senso e pelo respeito!”, disse.
A prefeita de Ferraz, Priscila Gambale, uma, das duas mulheres à frente de uma cidade da região, foi enfática ao criticar Arthur do Val, classificando de “machista e sexista” e afirmou que o político “promoveu turismo sexual”.
“Meu total repúdio às declarações do deputado estadual Arthur do Val, que teve uma fala completamente machista e sexista, usando a vulnerabilidade das mulheres ucranianas para promover o turismo sexual. Como mulheres e eleitoras, jamais podemos aceitar, tais declarações e atitudes, ainda mais de um representante da sociedade”, disse.
A prefeita Marcia Bin não havia publicado nenhuma nota sobre o tema até o fechamento desta reportagem.
Deputados
Entre os deputados estaduais e federais que representam a região, quatro comentaram sobre.
A única mulher a representar a região, a deputada Policial Katia Sastre, classificou como “uma pobreza de espírito” os comentários feitos por Arthur do Val.
“Presenciamos uma guerra, milhares de pessoas morrendo e perdendo suas casas e, ainda sim, tem gente atacando as mulheres e usando a vulnerabilidade delas para menosprezá-las”, disse.
O deputado André do Prado, que é colega de Arthur do Val na Alesp, criticou as falas. Para o deputado do PL, as falas desrespeitam não apenas as mulheres ucranianas, mas as de São Paulo e do Brasil.
“Repudio veementemente e lamento as graves declarações feitas pelo deputado estadual Arthur do Val, no que se refere às mulheres ucranianas refugiadas e às policiais, que foram divulgadas pela imprensa”.
O deputado Estevam Galvão, também colega de Arthur na Alesp, classificou como “inconcebível” e “inaceitável” as falas do parlamentar e pede punição para ele.
“Mais do que garantir a punição adequada para o caso, não podemos nos calar. Respeito ao próximo é o mínimo que devemos ter enquanto cidadãos. Mais do que isso, o direito das mulheres precisa ser garantido por todos”, afirmou.
Marcos Damásio, também colega de Arthur do Val, citou a Bíblia ao comentar o assunto.
“A história da criação da mulher na Bíblia também mostra que não há espaço na Palavra de Deus para ideias que atacam a dignidade e o valor da mulher”.
Por fim, o deputado federal Roberto de Lucena, também do Podemos, disse que “as falas de Arthur ofendem as mulheres ucranianas, as de São Paulo, do Brasil e do mundo”.
Resposta
Arthur do Val desembarcou no sábado em Guarulhos e respondeu à perguntas de jornalistas.
“Foi errado o que eu falei, não é isso que eu penso. O que eu falei foi um erro, em um momento de empolgação", disse ele.
"Pelo amor de Deus, gente, a impressão que está passando aqui é que eu cheguei lá e falei: 'quem quer vir comigo aqui, que eu quero comprar alguma coisa'. Não é isso e eu nem poderia fazer. Inclusive nos áudios eu falo ali, ainda que de modo jocoso, de modo informal. Eu não tive tempo pra fazer absolutamente nada, eu não tive tempo para tomar banho", afirmou o parlamentar aos jornalistas após desembarcar no aeroporto.
Caio Cunha e outros quatro prefeitos do Podemos pedem a expulsão de Mamãe Falei do partido
O prefeito de Mogi das Cruzes, Caio Cunha, e outros quatro chefes de Execuivo municipal de São Paulo pedem a expulsão do deputado Arthur do Val, o Mamãe Falei, após falas com teor sexual feitas sobre as mulheres ucranianas.
Em carta publicada nesta segunda-feira, o Podemos afirma que “se de fato somos um partido diferente, conforme está preconizado na cartilha do Podemos 2021, publicada no site oficial da sigla, é necessário afastar membros que não contribuem com este propósito”.
Os cinco que assinam a carta dizem que Arthur do Val infringiu o artigo 14 do estatuto do partido.
“Dentre outros motivos, que destoam das missões e propósitos do partido, Arthur do Val descumpriu o Art. 14 do Estatuto do Podemos, que trata dos deveres dos filiados, em especial o inciso II: “combater todas as manifestações de discriminação em relação à etnia, às pessoas com deficiência, aos idosos, assim como qualquer outra forma de discriminação social, de gênero, de orientação sexual, de cor ou raça, idade ou religião”.
Eles concluem citando que “em respeito” as mulheres ucranianas, brasileiras e de todo o mundo, “nós, abaixo assinados, pedimos a expulsão de Arthur do Val – Mamãe Falei, do Partido Podemos”.
Ao fim, Caio Cunha e os demais dizem que “havendo manutenção do mesmo (Arthur do Val) dentre os filiados, entendemos que não haverá motivos para continuarmos defendendo os propósitos do Podemos”.
Assinam a carta, além de Caio Cunha, Guto Issa, prefeito de São Roque; Igor Soares, prefeito de Itapevi; Kayo Amado, prefeito de São Vicente e Rogério Lins, prefeito de Osasco.