O processo de canonização de Padre Eustáquio, que pode se tornar o primeiro santo da história do Alto Tietê, avançou com a entrega dos últimos laudos médicos de um caso em análise pela Vice-Postulação da Causa de Canonização. O procedimento foi acompanhado pelo diretor do Museu Padre Eustáquio, Delcimar Ferreira, durante uma viagem à Holanda, país onde o beato nasceu.
Segundo Delcimar, os documentos foram entregues pelo padre Marcus Vinicius Maciel, vice-postulador da causa, ao sobrinho do beato, Ian Van Den Boomen, e ao postulador-geral da Congregação dos Sagrados Corações em Roma, padre Andrezej Lukawski. O próximo passo será o encaminhamento do caso ao Dicastério para as Causas dos Santos, no Vaticano.
O caso está sob sigilo e ainda passará por análise. Não há prazo para uma decisão. “Há uma expectativa muito grande para que este documento contribua no processo. Não há prazo para essa análise, mas o que nos resta é seguir rezando pela sua Canonização”, afirmou.
Ferreira explica que, a igreja considera santa uma pessoa tem o reconhecimento de dois milagres após a morte. O primeiro já foi reconhecido em 2006. O segundo só pode ser validado e considerado a partir da beatificação. “Ou seja, o caso extraordinário deve se dar após 15 de junho de 2006, que foi a data em que Padre Eustáquio foi beatificado”, elucidou.
Origens
A viagem foi organizada por amigos e padres da Congregação dos Sagrados Corações, de Belo Horizonte (MG). O diretor do museu e a esposa participaram do grupo de 25 brasileiros, formado por pessoas de cidades por onde Padre Eustáquio viveu.
Durante a peregrinação, Delcimar conheceu a casa onde o beato nasceu, em 3 de novembro de 1890, na cidade de Aarle-Rixtel, no interior da Holanda. O imóvel mantém a fachada preservada e recebeu uma fotografia e placa que identificam a origem da família Van Lieshout. Atualmente, a residência é ocupada por outros moradores.
A visita também incluiu a igreja onde o Padre foi batizado e o mosteiro que frequentava diariamente antes de ir à escola. Um dos pontos que mais chamou a atenção do diretor foi uma gruta dedicada a Nossa Senhora, onde Padre Eustáquio rezava desde a infância.
De acordo com a biografia do religioso, sua mãe, Elisabeth, depositava flores diariamente no local. Para Delcimar, conhecer a gruta ajuda a compreender a devoção que acompanhou o beato ao longo da vida. Em Poá, Padre Eustáquio também construiu uma gruta dedicada à Nossa Senhora de Lourdes, local associado aos principais milagres atribuídos à sua intercessão.
“Uma coisa é você ler a biografia, ver fotos, vídeos, documentos ou até objetos que pertenceram ao beato. Outra coisa é ter a oportunidade de estar na terra natal dele e entender como a história contada pelas palavras faz sentido na vida da pessoa. A gente passa a compreender melhor como a vocação sacerdotal foi sendo construída desde a infância, por exemplo”, explicou.
Canonização
Para Delcimar, a canonização teria importância tanto para os fiéis quanto para o desenvolvimento do turismo religioso em Poá e na região. Ele destaca que o exemplo do beato, cujo lema era promover saúde e paz, pode inspirar a comunidade.
O diretor também avalia que o reconhecimento como santo poderia ampliar a visitação de peregrinos. “Poá poderia entrar na Rota da Fé, que hoje existe e tem como principais pontos de peregrinação a cidade de Aparecida. Para a sociedade em geral é significativo porque o Brasil não tem muitos santos, então isso impulsiona o turismo religioso, por exemplo”, destacou.
O Museu do Padre Eustáquio está localizado na rua Vinte e Seis de Março, região central de Poá. As visitas ocorrem mediante agendamento, pelo WhatsApp (11) 99165-8409.
PADRE EUSTÁQUIO Processo de canonização avançou - (Foto: Delcimar Ferreira/Arquivo Pessoal)