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Jornal Diário de Suzano - 21/11/2017
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Salão do Livro de Paris na França faz homenagem a literatura brasileira

19 MAR 2015 - 08h00

A literatura brasileira entra nesta semana em especial destaque na França, tomando páginas de jornais e publicações especializadas e ocupando o centro de palestras e conferências às vésperas do Salão do Livro de 2015. País homenageado, o Brasil já começou a ser tema de eventos antes mesmo da abertura da feira, que reunirá escritores, tradutores e editores no Parque de Exposições de Porte de Versailles, no sul da capital, entre hoje e a próxima segunda-feira. Para acadêmicos, é a oportunidade de renovar o interesse pelos autores brasileiros, fora do eixo das grandes editoras desde os anos 1990.

O início das atividades sobre a literatura brasileira em Paris ocorreu na sede da Unesco, na capital, onde a exposição Machado de Assis - Le Sorcier de Rio mostra ao público francês, sempre ávido de literatura, o universo "do maior escritor brasileiro", segundo a definição dos curadores da mostra. O autor de clássicos como Dom Casmurro é apresentado como "um feiticeiro", "pela singularidade de sua obra, na qual a densidade psicológica e lucidez social se combinam a humor e ironia e representam as contradições humanas".

Antonio Torres, eleito acadêmico da Academia Brasileira de Letras em 2013, participará de mesas-redondas sobre poesia, ensaio e ficção brasileiras

Antonio Torres, eleito acadêmico da Academia Brasileira de Letras em 2013, participará de mesas-redondas sobre poesia, ensaio e ficção brasileiras

A mostra traz painéis interativos, vídeos e livros raros cedidos pela Biblioteca Nacional da França (BNF) para reconstruir a obra do autor e seu cenário de referência, o Rio de Janeiro do século 19, enaltecendo o valor atemporal de sua temática.

Outro evento prévio ao salão começa hoje, com a excursão de imortais da Academia Brasileira de Letras (ABL), que serão recebidos pela Academia Francesa. Entre os brasileiros em Paris estão Geraldo Holanda Cavalcanti, presidente da ABL, Domício Proença Filho, secretário-geral da instituição, Rosiska Darcy de Oliveira, Nélida Piñon, Ana Maria Machado, Sergio Paulo Rouanet, Marco Lucchesi e Antonio Torres. Proença Filho, Rosiska e Lucchesi participarão de mesas-redondas sobre poesia, ensaio e ficção brasileiras.

A programação é apenas uma pequena parte dos eventos nos quais autores brasileiros estarão envolvidos. São 48 nomes convidados pelo presidente do Centro Nacional do Livro (CNL) da França, Vincent Monadé, a representarem o Brasil no Salão do Livro, no qual serão recebidos com destaque. Para Leonardo Tonus, professor da Universidade de Paris-Sorbonne (Paris IV) e um dos curadores brasileiros na feira, autores e editores do País têm uma nova chance de reabrir o mercado francês e europeu, que se tornou cada vez mais restrito desde os anos 1990.

"O evento é importante porque o Brasil tem um peso cultural muito grande na França. Esperamos o aumento do mercado de obras brasileiras traduzidas na França e de francesas traduzidas no Brasil", afirma Tonus, que será condecorado hoje, pelo Ministério da Cultura como Cavalheiro da Ordem das Artes e da Cultura, uma das distinções mais relevantes da área no País.

Para Tonus, o Salão do Livro de Paris é uma nova oportunidade para o Brasil corrigir os erros cometidos após a Feira de Frankfurt, em 2013, quando a literatura brasileira também foi homenageada, mas sem benefícios sustentáveis aos autores nacionais. "Em Frankfurt, houve uma bolha, com milhões investidos e muitas traduções, mas sem uma iniciativa estrutural de apoio à literatura brasileira", reflete.

Na opinião do acadêmico, falta ao Brasil uma política sustentável de apoio aos autores brasileiros, com estímulo à tradução, mas também à formação de tradutores e à conquista de novos leitores. "É toda a cadeia do livro que precisa de apoio estrutural", entende Tônus.

A crítica é compartilhada por Monadé, presidente do CNL francês, que, em entrevista ao Estado, na última semana disse ver enorme potencial na literatura brasileira na França e na Europa, mas observa um déficit de penetração dos autores do País, em parte por causa do ainda reduzido número de traduções.

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