O modelos de escola cívico-militar, que poderá ser implantado, a título experimental, em Suzano, são marcados pela formalidade, regras rígidas e pontualidade dos estudantes.
Só para se ter uma ideia, o número de escolas sob essa gestão tem crescido no Brasil. Atualmente, o país conta com 120 escolas cívico-militares. A maior concentração fica no estado de Goiás, que conta com 50 escolas militares. Segundo o portal do Ministério da Educação, o fenômeno é reflexo dos bons resultados obtidos pelas unidades já existentes.
O modelo militar consiste em uma gestão compartilhada entre a Secretaria de Educação e Secretaria de Segurança Pública. Nestas escolas, militares da polícia ou corpo de bombeiros ficam responsáveis pelas áreas administrativas e disciplinares, enquanto o corpo docente cuida da parte pedagógica.
No caso de Goiás, as escolas exigem que os alunos sejam pontuais e formais. Com enfoque na ordem e disciplina, o uso de farda é obrigatório, assim como bater continência para os professores. O clima de quartel general é reforçado por conta das canções patriotas e juramentos à bandeira.
No início dos anos 2000, Goiás contava com 6 unidades cívico-militares, hoje em dia o número já chega a 50 unidades. Os colégios incentivam a meritocracia, premiando e diferenciando os alunos com melhor desempenho. Aqueles que alcançam nota máxima em determinada disciplina ganham prêmios como incentivo.
O Colégio Militar Dr. Cezar Toledo é considerado o melhor de Goiás e já foi classificado como o 33º melhor do país. O bom desempenho dos alunos nestas instituições tem incentivado o estado a criar novas unidades.
Para incentivar novas unidades, o governo criou, no início do ano, a Subsecretaria de Fomento às Escolas Cívico-Militares a partir do Decreto Federal 9.665, enquanto o MEC passou a reconhecer o novo modelo que pode transformar escolas públicas em instituições cívico-militares.
De acordo com o portal do Ministério da Educação, a subsecretaria gerencia programas nos campos didático-pedagógicos e de gestão educacional semelhantes aos dos colégios militares que podem ser aplicados nas instituições indicadas pelas próprias secretarias de educação.
O portal oficial do MEC explica que o planejamento pedagógico e financeiro continua a ser responsabilidade da Secretaria de Educação. "A proposta é que o professor tenha tranquilidade e tempo disponível para montar sua aula. O professor vai poder se preocupar apenas em dar aula, com a metodologia, e o militar com a disciplina, da ordem, do civismo", explica a subsecretaria.
O projeto de Suzano está sendo discutido entre o ministro da Educação, Ricardo Vélez Rodríguez, e o prefeito Rodrigo Ashiuchi. A escola seria criada na antiga estrutura que abrigava o Sesi, no Jardim Monte Cristo. Para o prefeito de Suzano, a parceria seria para reformar toda a unidade a fim de que possa receber alunos da rede municipal.
"Isso é uma proposta que a nossa rede municipal vai discutir com as equipes do ministério, porque tem coisa que a gente concorda e outras que não. Eu sou contra ter soldado armado na escola. De maneira alguma esse modelo pode influenciar no plano pedagógico das escolas. Os militares só estarão no comando da segurança e disciplina", finaliza o prefeito.