Um grupo de motoristas de aplicativo de várias cidades do Alto Tietê acompanham, na noite desta terça-feira, 24, a audiência pública na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp). Segundo eles, a ida também vai servir para pedir mais segurança para a categoria. A ação aconteceu por conta dos recentes ataques que condutores estão sofrendo na região e no Estado de São Paulo.
Nos últimos dez dias, a região registrou, pelo menos, quatro atentados contra motoristas de aplicativo, com uma morte em Itaquá no dia 18. Um dos temas abordados na audiência foi segurança.
Por isso, grupos de motoristas de vários aplicativos como Uber, 99 e Garupa se reuniram e foram para a Alesp.
Os veículos saíram da Avenida Cívica, em Mogi, por volta das 13 horas, e seguiram até o Parque Municipal Max Feffer, em Suzano. De lá, eles seguiram em comboio com destino ao prédio do órgão máximo do poder legislativo do Estado.
Marcos Avelino é dono do aplicativo Garupa. Ele conta que o objetivo da ação é mostrar para as autoridades a importância da categoria para as pessoas. "Ela é composta por muitos motoristas, que precisam de mais segurança para trabalhar", conta Avelino.
Uma das principais reivindicações que os motoristas fazem é por mais informações das pessoas que solicitam corridas, e para os locais que elas vão. Arnaldo Bocz Junior, 28, afirma que essas informações facilitariam na questão da segurança porque, segundo ele, o motorista poderia recusar uma viagem caso o destino ofereça grandes riscos. "No Uber, por exemplo, nós só conseguimos saber para onde a pessoa vai quando ela já está no carro. Queremos saber a rota com antecedência e queremos saber quem é a pessoa que está nos chamando", pede.
Daniel Gomes, 29, destaca a importância de uma manifestação como essa. Ele sentiu na pele a violência contra motoristas de aplicativo ao sofrer um atentado em Guaianases, Zona Leste de São Paulo. "Eram dois indivíduos, e um deles sacou um revólver. Levaram meu carro e avisei aos policiais, que fizeram ronda e recuperaram", relata o motorista, que não leva mais passageiro de sexo diferente do que mostra o aplicativo.
"Se aparecer uma mulher no aplicativo e, chegando ao local, a pessoa que entrar for homem, não levo, e vice-versa", diz.
Felipe Carnavalle, 35, abriu mão de momentos de lazer com a filha, de cinco meses, para ir até a Alesp. "Fui prestar solidariedade aos companheiros. Na verdade, estou pensando em desistir de dirigir para aplicativo", diz. Em nota, a Secretaria de Segurança Pública (SSP) disse que a Polícia Militar (PM) realiza abordagens em veículos usados comumente por motoristas de aplicativo, visando aumentar a segurança da categoria.