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Cidades

Restaurantes somam prejuízos com vendas exclusivas por delivery

Apesar disso, a modalidade não tem apresentado retorno satisfatório para a maioria dos estabelecimentos

31 março 2021 - 16h02 Por Matheus Cruz - de Suzano
Os bares e restaurantes de Suzano já estão adaptados às vendas por delivery. Passado mais de um ano do início da pandemia e com a série de restrições que hoje impedem os locais de receberem clientes em suas dependências, a única alternativa para manter o rendimento são as vendas por delivery. Apesar disso, a modalidade não tem apresentado retorno satisfatório para a maioria dos estabelecimentos.
 
Marlon Deivid é gerente de um tradicional restaurante localizado na rua Benjamin Constant, no Centro de Suzano. No local, as vendas no sistema de entrega ainda não convencem financeiramente.
 
“O rendimento caiu em 80% pelo menos. Estamos conseguindo levar a situação, mas não se compara ao restaurante aberto. Tínhamos dez funcionários e hoje estamos apenas com cinco. Foi necessário adiantar férias e negociar para que os contratos não fossem suspensos”, explica. 
 
O gerente avalia que o fechamento dos restaurantes precisa ser analisado com maior cuidado, já que acarreta outros problemas.“É uma situação muito delicada, precisamos olhar os dois lados da moeda. Sabemos que tem muitas pessoas morrendo pelo vírus, mas muitos também podem morrer de fome sem emprego. É muito triste”, destacou Marlon Deivid. 
Já no restaurante em que atua o gerente Marcelo Barbosa a situação é um pouco diferente. O local também está atendendo exclusivamente por delivery, mas o número de vendas externas segue alto. É o que explica.
 
“Não posso reclamar porque as vendas de marmitas estão boas. Claro que não se compara com a época em que o restaurante estava aberto, mas ainda conseguimos segurar as pontas. Temos nosso serviço próprio de delivery que está trabalhando bastante e também os aplicativos que nos ajudam”, explica.
 
Sobre o impedimento de receber clientes, o gerente acredita que a medida é positiva, apesar de tantos problemas que causa para a classe. De acordo com Marcelo, é provável que a decisão que determina o impedimento de receber clientes seja prolongada.
 
“É tudo muito incerto, os hospitais continuam lotados, então acho que pode até se estender essa medida. É uma pena, mas de certa forma da pra entender. Não tem como a cidade voltar a fluir enquanto não tiver atendimento nos hospitais”, destaca.
 
Outro fator que pode explicar a queda do movimento é a suspensão do pegamento do auxílio emergencial. Segundo o gerente de outro restaurante, Marcelo de Araújo, isso tem sido um ponto de dificuldade. “Percebemos que desde quando as pessoas pararam de receber o auxílio, as vendas despencaram ainda mais. Fora as dificuldades que já tínhamos antes disso” explica. 
No restaurante em que trabalha, Marcelo possui oito funcionários que também trabalham em sistema de revezamento. O gerente destaca que a normalidade precisa voltar com urgência.
“Estamos nos virando como podemos. Nem os governantes sabem o que faz, imagine a gente. Uma certeza é que as coisas precisam voltar ao normal”, disse.
 
No restaurante em que trabalha Silvia Andrade a situação também é complicada. O número de funcionários foi reduzido e ao invés de atendentes, o restaurante localizado na rua General Francisco Glicério tem mais entregadores. “Infelizmente dois atendentes tiveram que sair e contratamos dois motoboys. Foi uma decisão que não tivemos opção, o restaurante fechado não recebe clientes, mas podemos entregar”, explica.
 
Entre os seis funcionários que ficaram, a compreensão tem sido fator importante para manter o regime de trabalho. “Os funcionários têm compreendido que não é culpa nossa. Isso ajuda muito. A equipe trabalha para no final do mês todos os salários serem pagos”, conta a gerente. 
De acordo com ela, o local servia mais de 150 pratos por dia, hoje, o registro médio é de 60 marmitas vendidas.
 
Na mesma linha, a atendente Andreia Narciso tem percebido a queda nas vendas. Das quase 100 marmitas que eram vendidas no restaurante em que trabalha, hoje são apenas 40. 
“Ficamos muito tristes por isso. É o nosso trabalho, sem ele ficamos de mãos atadas. Não precisa ser gerente ou dono, o reflexo também cai no colo dos funcionários”, lamentou.

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