Cinco cidades do Alto Tietê descartaram o uso de medicamentos do “Kit Covid” para tratamentos de pacientes com o vírus. O “Kit Covid” se refere a uma combinação de medicamentos, como hidroxicloroquina, ivermectina, azitromicina, vitamina D, vitamina C, entre outros, que podem trazer efeitos colaterais. Além disso, Suzano e Poá afirmaram que, caso um remédio tenha eficácia contra a Covid-10 e seja comprovado cientificamente e recomendado pelos órgãos de saúde, as cidades vão adquirir os itens para proteger a população.
Em Suzano, a Secretaria de Saúde informou que não recomenda os medicamentos. Além disso, esclareceu que o “Kit Covid” não é receitado pelos médicos da rede municipal de saúde. De acordo com a pasta, os médicos têm autonomia em suas condutas conforme o código de ética profissional. A secretaria ainda destacou que a Prefeitura segue com o plano de vacinação, que, atualmente, é o que imuniza. A administração municipal completa que todo e qualquer remédio que tenha eficácia contra a Covid-19, que for comprovado cientificamente e recomendado pelos órgãos de saúde, a cidade será uma das primeiras a adquirir os itens para proteger a população.
Já em Mogi das Cruzes, o secretário de Saúde, o médico Henrique Naufel, lembra que as entidades médicas pedem a suspensão do uso de medicamentos como a cloroquina e a ivermectina, por não haver comprovação científica de eficácia no tratamento da Covid-19. “Há diversos relatos de pacientes que tomaram esses medicamentos e tiveram comprometimento dos rins e do fígado, desenvolvendo hepatite medicamentosa e, em casos mais graves, com o risco de transplante após a utilização dessas drogas”, disse. Para finalizar, o secretário mogiano entende que o momento atual exige kits de intubação e oxigênio, que são os suprimentos utilizados no tratamento dos doentes, e não de medicamentos que compõem o chamado “Kit Covid”.
Em Poá, a Prefeitura frisou que diante da falta de comprovação científica, e considerando estudos que apontam graves efeitos colaterais, não faz parte do protocolo municipal de enfrentamento à pandemia de Covid-19 a adoção de tratamento preventivo como o “Kit Covid”. Por outro lado, o Executivo informou que o médico tem autonomia para, em conjunto com o paciente, definir o tratamento a ser seguido, desde que este não seja prescrito. Para finalizar, a Prefeitura disse que mantém o foco no sentido de obter recursos, insumos e pessoal para prestar a melhor assistência possível à população, e está atenta ao surgimento de quaisquer tratamentos cientificamente comprovados e aprovados pelos órgãos competentes para adotá-los.
A mesma situação ocorre em Itaquaquecetuba. A cidade esclareceu que a rede pública municipal não receita "Kit Covid".
Em Ferraz de Vasconcelos também não existe a recomendação da utilização do "Kit Covid". “O que cabe nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) é a autonomia médica frente ao caso clínico de sintomas. Cabe destacar que a cidade não possui hospital municipal”, disse em nota.