Na contramão dos últimos índices que apontam queda no número de infectados e ocupações nos leitos de Covid-19 nos hospitais de Suzano e região, o Sindicato dos Trabalhadores Públicos da Saúde de Mogi e Região (SindSaúde), defende que as restrições para evitar novos contágios devam continuar.
Na última sexta-feira (7), o governador João Doria confirmou a prorrogação da fase de transição do Plano São Paulo para todo o estado por mais duas semanas, até o próximo dia 23. Com isso, foi concedida a extensão de mais uma hora no expediente de atendimento presencial, das 6h às 21h, e com limitação de 30% de capacidade em comércios e serviços não essenciais. A flexibilização pode mudar de acordo com os decretos municipais.
Conforme explica a diretora regional do SindSaúde, Kátia Aparecida dos Santos, os índices de queda na ocupação dos leitos não representam o fim da pandemia, e por isso, as ações de restrições que ajudam a controlar a disseminação do vírus não podem ser interrompidas.
“As restrições precisam ser mantidas. Não sabemos a proporção das variantes que estão aparecendo. Assim como a segunda onda foi mais mortal como a primeira, uma possível terceira onda seria ainda pior”, explicou a diretora.
Na avaliação da representante dos profissionais de saúde do Alto Tietê, um dos maiores problemas que a região ainda enfrenta, além do vírus, é a falta de profissionais para atuar na linha de frente. Em março, a entidade estimava o déficit de pelo menos 300 profissionais, entre médicos, enfermeiros e auxiliares.
Entretanto, o número continua em queda significante. Até o ano passado, a entidade registrava o número de pelo menos 4 mil trabalhadores públicos da saúde na região. Neste momento, são cerca de 3,7 mil.
“Tivemos o reforço de novas contratações que ajudaram bastante, mas ocorre que parte dos contratados acabam não se adequando e pedem pra sair. Eles veem que a realidade do atendimento é outra. Então é como se não tivéssemos tanto reforço”, explicou.
Vacinação
Além de considerar o número de profissionais para a atuação insuficiente, o ritmo da vacinação na região também foi avaliado pela diretora do sindicato. Neste momento, parte dos trabalhadores da saúde ainda estão na fila para tomar a segunda dose.
“Avalio que a vacinação poderia estar mais acelerada. Temos casos de profissionais que tomaram a primeira dose, mas no intervalo até a segunda chegaram a ser contaminados, por exemplo”, completou.