Mesmo com o pagamento de 45 indenizações às famílias afetadas pela tragédia ocorrida na escola estadual Professor Raul Brasil, em Suzano, em março de 2019, pessoas impactadas direta ou indiretamente pelo atentado tentam acionar a Justiça.
O Tribunal de Justiça (TJ-SP) condenou o Estado a indenizar uma aluna em R$ 20 mil por danos morais por conta do ataque. A condenação ocorreu em segunda instância, mas o Estado ainda pode recorrer. O caso foi divulgado pela mídia.
O DS conversou com o advogado Celestino Gomes Antunes, que conduziu o processo de uma aluna. Ele disse que pelo menos mais uma pessoa – uma professora - entrou em contato com ele na semana passada para pedir informações sobre o processo desta aluna. O advogado acredita que a divulgação do resultado com a indenização de R$ 20 mil serviu de gatilho para que a professora também optasse por esse caminho. “Ela me procurou na segunda-feira e pediu a documentação. Com certeza (é uma resposta ao primeiro caso). Ela é professora de uma escola aqui, mãe de um aluno que estava lá no dia. Pediu informações e perguntou como era o processo. Passei a documentação e ela ficou de mandar”, disse Antunes.
O advogado acredita que esses sejam os únicos dois casos do momento, já que os próprios colegas de profissão costumam falar quando entram em processos como esses. No entanto, mais pessoas podem acabar buscando informações sobre o processo, assim como ocorreu no caso da professora.
“Acredito que não (haja mais processos contra o Estado), porque senão o pessoal teria comentado”, disse.
Segundo a Procuradoria Geral do Estado (PGE), ainda não houve intimação da decisão no caso da aluna que ganhou o processo de R$ 20 mil na Justiça.
O atentado na Raul Brasil ocorreu em 13 de março de 2019. Guilherme Taucci Monteiro, 17, e Luiz Henrique de Castro, 25, invadiram a escola e mataram cinco alunos e duas funcionárias da unidade, antes de se suicidarem.
Houve apoio psicológico aos alunos e o Estado assumiu a responsabilidade. O valor das indenizações é mantido em sigilo, mas estima-se que gire em torno de R$ 100 mil às famílias dos sete mortos no massacre.