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Cidades

Cresce número de doadores de órgãos em 2023; 20 mil estão na fila

Crescimento é de mais de 10% em relação ao ano passado em todo o Estado

03 setembro 2023 - 10h00 Por de Suzano

A Secretaria de Estado da Saúde registrou, por meio da Central de Transplantes, um aumento de mais de 10% no número de doadores de órgãos no estado de São Paulo no período de janeiro a 30 de agosto em comparação com o mesmo período do ano passado. Foram 696 doadores em comparação com 631 em 2022. 

Ao menos 20,8 mil aguardavam na lista de espera até o mês de junho (Leia matéria abaixo).

Os números são de todo o Estado e incluem dados das cidades do Alto Tietê, no entanto, a quantidade por cidades não foi divulgada.

Com a constante campanha da área, para estimular doações, impulsionada por atenção dada a casos de grande repercussão na mídia, houve 28 novos doadores na semana entre 20 e 26 de agosto, um aumento de 86% em relação aos 15 doadores registrados na mesma semana de 2022.

Estes resultados positivos seguem na mesma tendência de outros do setor. O número de transplantes de coração registrado até julho deste ano, por exemplo, foi maior do que os números no mesmo período dos cinco anos anteriores. Em 2018 foram realizados 64 procedimentos, seguidos por 74 em 2019, 67 em 2020 e 73 em 2021 e 2022. Em 2023, foram 75 nos sete primeiros meses do ano.

No todo, foram realizados 5.077 transplantes de coração, fígado, pâncreas, pulmão, rins e córneas no estado de São Paulo, o que representa um aumento de 10,5% em relação a 2022, quando foram feitos 4.592 procedimentos. É praticamente a mesma proporção de crescimento observada no número de doadores.

A doação de órgãos deve ser consentida e quem quiser ser doador não precisa mais incluir a informação no RG ou na CNH – basta comunicar a família sobre esse desejo. No caso dos falecidos, a autorização para doação deve ser dada por familiares com até o 2º grau de parentesco. A conscientização das pessoas também cresceu no último ano, pois as recusas de autorização da doação por parte das famílias caíram de 41% para 38,6%.

A doação entre vivos só ocorre se não houver nenhum problema de saúde para a pessoa que está doando.

Conforme diretrizes do SUS, pessoas com diagnóstico de Covid-19 com menos de 28 dias da regressão completa dos sintomas não podem ser doadores. A Central de Transplantes do Estado de São Paulo destaca que doar órgãos e tecidos é fundamental para ajudar a salvar vidas. Além disso, reforça a orientação de que haja diálogo entre as famílias sobre o desejo de ser ou não doador de órgãos, pois isso facilita a tomada de decisão.

Maiores demandas são por rim, córnea e fígado no Estado

A Central de Transplantes do Estado de São Paulo informa que, até o final de julho de 2023, 20,8 mil pacientes aguardavam por doação de órgãos. As maiores demandas são por rim, córnea e fígado, com lista de espera de 16,2 mil, 3,7 mil e 462 pacientes, respectivamente. 

Quanto aos transplantes cardíacos, 180 pessoas aguardavam no mês passado. De janeiro a julho de 2023, foram realizados 75 transplantes de coração no estado. O número é maior do que o registrado no mesmo período em anos anteriores (foram 64 procedimentos em 2018; 74 em 2019; 67 em 2020; 73 em 2021; e 73 em 2022).

Fluxo de transplantes

Pacientes que necessitam de transplante de órgãos são inseridos no Cadastro Técnico do Sistema Estadual de Transplantes de São Paulo, ou seja, na fila para o transplante na especialidade necessária. A inscrição e a manutenção dos dados cadastrais no sistema são de responsabilidade da equipe de transplante.

A gestão deste Cadastro Técnico, bem como a distribuição de órgãos, é realizada pelo Sistema Estadual de Transplantes em conjunto com o Sistema Nacional de Transplantes (SNT) e depende de fatores como disponibilização do órgão por meio do processo de doação, ordem cronológica, gravidade do caso e disponibilidade ou não de tratamentos alternativos, com prioridade aos casos de urgência em que há risco de morte.

No Estado de São Paulo, há 10 Organizações de Procura de Órgãos (OPOs), que estão localizadas no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, Santa Casa de São Paulo, Hospital São Paulo da Escola Paulista de Medicina da Unifesp, Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia, Hospital das Clínicas da Unicamp, Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto, Hospital Universitário de São José do Rio Preto, Hospital das Clínicas de Botucatu, Santa Casa de Itu e Hospital das Clínicas de Marília. O papel da OPO é viabilizar doadores para o cadastro técnico de pacientes que estão à espera de um transplante.

Doação de órgãos é restringida por baixa taxa de autorização da família do doador

De acordo com o Ministério da Saúde, um dos principais fatores que restringe a doação de órgãos é a baixa taxa de autorização da família do doador. 

Dados da pasta mostram que cerca de metade das famílias entrevistadas não concorda que sejam retirados os órgãos e tecidos do parente falecido para doação.

Por isso, para ser um doador, o Ministério da Saúde orienta que o interessado converse com sua família sobre o desejo de ser doador e deixe claro para que seus familiares autorizem a doação de órgãos após sua morte. 

Autorização

No Brasil, a doação de órgãos só será feita depois da autorização da família.

Não podem ser doadores pessoas que não tenham documentação, indigentes ou menores de 18 anos sem a autorização dos responsáveis.

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