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Suzano

Yalorixá denuncia intolerância religiosa em Suzano

Revitalização de praça pública feita pela organização religiosa foi vandalizada por um morador local

01 outubro 2026 - 11h07 Por Yasmin Torres - da Reportagem local

A yalorixá Jonise Santana, conhecida como Ya Jô, denunciou um caso de intolerância religiosa que aconteceu na Praça Osvaldo Francisco Alves Filho, localizada na avenida Libanesa, no bairro Jardim Revista, em Suzano. Como responsável da entidade Ilê Alaketu Asè Osun Emin L'Oya, que cuida do espaço por meio do programa “Adote uma Praça”, Ya Jô percebeu que as plantas cultivadas pelo grupo estavam sendo destruídas constantemente, além de outras vandalizações.

Ao DS, a yalorixá contou que a primeira situação aconteceu na terça-feira da última semana, dia 22 de agosto. “No domingo, mesmo com chuva, fizemos um canteiro com pneus coloridos e plantamos algumas mudas. Na terça-feira estava tudo destruído. Fomos ao local e replantamos, apenas para encontrar o lugar vandalizado de novo. Isso aconteceu cerca de cinco vezes”, disse.

Já na quinta-feira (24), Ya Jô conseguiu falar com o responsável pelas depredações, um morador local com mais de 60 anos, segundo ela. Um vídeo gravado por Ya Jô mostra a conversa. “Quando perguntamos o que estava acontecendo ele começou a nos insultar, dizendo que éramos macumbeiros, que aquela era a praça do demônio e que nós nem deveríamos existir”, afirmou. Ela contou ainda que “no sábado, ele foi até a frente da casa onde eu moro, destruiu as plantas que estavam ali e começou a orar”.

O caso foi levado até a Polícia, Secretaria de Meio Ambiente e a Prefeitura de Suzano. “Nós, de matriz africana, passamos por muitas situações de racismo religioso e intolerância, isso que aconteceu não representa nem 1% do que a gente já passa. É importante dizer que, se destruírem, a gente planta de novo. O candomblé é feito de resistência e a gente vai continuar voltando enquanto tivermos fôlego”, afirmou Ya Jô.

A yalorixá reforçou ainda que a revitalização da praça não foi feita para prática religiosa, mas sim para cuidar do espaço, que é público. “Nossa casa já faz trabalhos de assistência, acolhimento e amparo à comunidade, e a praça é mais um deles e pertence a todos. Esse era um lugar que estava há quase 20 anos sem manutenção, com muito vidro quebrado e sem brinquedos. E, enquanto uns tentam interromper, a vida volta a esse espaço, com lazer e vivência para crianças, idosos e famílias”.

O DS tentou contato com o morador, mas não teve sucesso.

O secretário municipal de Meio Ambiente, André Chiang, reforçou que a parceria com a entidade Ilê Alaketu Asè Osun Emin L'Oya será mantida e que as ações de cuidado com o espaço terão continuidade. “Não podemos permitir que um trabalho realizado para recuperar e cuidar de um espaço público seja prejudicado por atos de depredação. A parceria vai continuar e a praça seguirá recebendo os cuidados previstos pelo programa. Os espaços públicos pertencem a toda a população e devem ser ambientes de convivência, respeito e diversidade. A Secretaria de Meio Ambiente seguirá acompanhando o caso e apoiando as ações que garantam a preservação e o uso adequado do local”, afirmou.

Segundo a Prefeitura, a parceria por meio do programa “Adote uma Praça” foi firmada em 20 de setembro. Enquanto o setor público promove a retirada de entulhos, a manutenção dos aparelhos de academia e a instalação de brinquedos, as entidades parceiras entram com organização, plantio, pintura e limpeza diária do espaço.

A gestão municipal informou que os interessados em obter mais informações sobre o programa ou em adotar outras praças do município podem entrar em contato com a Secretaria Municipal de Meio Ambiente pelo telefone (11) 4745-2055 ou pelo e-mail smma@suzano.sp.gov.br. Além disso, a Prefeitura reforçou que ao presenciar alguma situação de depredação de espaço público, é preciso realizar denúncia por meio da Ouvidoria Geral do Município, que atende pelos telefones 0800-774-2007 ou 156, e pelo e-mail ouvidoria@suzano.sp.gov.br.

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