Num mundo onde as pessoas vivem mais isoladas, com trabalho à distância, muita comunicação por redes sociais e poucas se fazendo presente fisicamente, os animais se tornaram os melhores companheiros.
Não falam, mas são presentes em nossas vidas com seus olhares amorosos, nos cobrando afagos e atenção, nos fazendo sair da comodidade para leva-los caminhar e fazer suas necessidades, assim também nos obrigam fazer exercícios e até mesmo trocar algumas palavras com outras pessoas que estão a passear com seus cães e gatos.
Algumas pessoas se deixam levar pela criação de animais mais exóticos, muitos nos deixam perplexos com suas escolhas, afinal entendemos que cobras e outros repteis devem viver na natureza, entretanto, de alguma maneira eles são cativados pelos carinhos de mãos quentes que os acariciam e os aconchegam, são animais que não necessitam sair e passear, mas acabam exigindo muito a presença de seus tutores.
Todo animal responde amorosamente aos carinhos e ao bom tratamento que recebem, são seres especiais, de uma alma bondosa e compreensiva, nos olham nos olhos sem desvios, pois, nada tem de mal a nos oferecer, somente amor e seus incessantes pedidos de carinho.
Mesmo quando fazem alguma arte e acabam nos tirando do sério e obrigando-nos a chamar sua atenção, humildemente se recolhem, demonstrando o entendimento que possuem, mas logo voltam cabisbaixos, rabinhos entre as pernas e jogam-se aos nossos pés de barriga para cima, sua melhor maneira de pedir desculpas.
E assim acabam nos conquistando mais, pois, entre os seres humanos tão esclarecidos e evoluídos, o pedido sincero de perdão é difícil e muitas vezes soam falso, somente para se cumprir uma função social de educação, mas que no íntimo continua reverberando a mágoa e a tristeza porque o pedido não foi sincero e da mesma forma o perdão também não foi.
Nossos amigos são levados por nós para todos os lugares que mudamos como preciosidades, afinal são nossos confidentes mais confiáveis, não vão espalhar por aí o que pensamos e o que sonhamos e com eles repartimos, nosso amor, nossa ansiedade, nossas frustrações, estão sempre prontos a nos ouvir, aconchegados em nosso sofá, no meio da nossa sala, deitados aos nossos pés, companheiros fiéis e amorosos...
É certo que quando temos que nos separar, mesmo que por algumas horas o sofrimento é mútuo, o deles sempre maior por ficarem sozinhos nos aguardando em nossas casas e o nosso acaba se dissipando por conta de encontros festivos com amigos ou por conta da atribulação com o trabalho presencial ou compromissos inadiáveis. Quando retornamos somos recebidos festivamente por nossos peludos, como se a vida deles só fizesse sentido quando estamos próximos e, talvez seja essa a grande verdade... Quando ocorre a perda definitiva deles, como agora aconteceu com o Joca, à dor de seu tutor atinge a todos, pois, não conseguimos compreender suas partidas inesperadas, seja pela doença, seja por sua vida mais curta naturalmente ou pela agressividade ocorrida numa viagem que deveria ser o início de uma nova caminhada numa nova cidade, que ceifou a vida do meigo cachorro companheiro fiel agora em sua jornada de trabalho longe de parentes e amigos, onde a solidão e a distância seria amenizada pelo amor presente do seu cão... Que outros animais não precisem perder suas vidas por conta do descaso e falta de atenção, dos transportadores, o respeito é sempre necessário...